José Vieira Duarte, conhecido na cena musical como Djosinha, nasceu a 25 de Maio de 1934 e, ao atingir mais de noventa anos, descreve-se como “bem rijo” e com uma vida repleta de recordações. O artista decidiu oficializar a sua saída dos palcos, embora desclarando que não se trata de um adeus definitivo, mas sim “um encostar de portas”, mantendo viva a possibilidade de futuras actuações, especialmente em prol de causas sociais.
De acordo com a imprensa cabo-verdiana, Djosinha escolheu realizar este marco de despedida na sua terra natal, celebrando uma carreira que já conta com quase 74 anos. O apelido Djosinha surgiu durante a infância, nos campos de futebol, onde partilhava o nome José com dois colegas. Para evitar confusões, o monitor da turma decidiu designá-los com diminutivos, resultando em Djosinha, que se tornaria um nome icónico da música de Cabo Verde.
O seu percurso artístico começou aos sete anos, no antigo Cine Éden Park, onde foi incentivado a cantar pelo famoso guitarrista Olavo Bilac. A sua estreia, embora discreta, tornou-se memorável quando interpretou a canção “Deusa do Asfalto”, deixando uma marca indelével na lembrança da audiência. Foi também a primeira vez que calçou sapatos, confeccionados por um sapateiro amigo da sua mãe.
Desde então, a carreira de Djosinha nunca mais parou, percorrendo diversos países e juntando-se ao grupo Voz de Cabo Verde aos 22 anos, onde trouxe versatilidade a um repertório dominado por mornas e coladeiras. Com este grupo, ele actuou em locais como a Holanda, Portugal e Espanha, até à sua dissolução.
Em carreira a solo, construiu uma sólida discografia com 17 trabalhos editados entre LP e CD, e numerosos espectáculos em Cabo Verde e na diáspora. Durante 42 anos, Djosinha foi também locutor da Rádio Globo nos Estados Unidos, onde reside e formou família, estreitando os laços com o público emigrante.
Conhecido pela sua energia vibrante no palco, Djosinha terá protagonizado momentos inesquecíveis, como o famoso “ratcha camisa”, que lhe garantiu um lugar na memória colectiva. Este episódio ocorreu em Angola, onde, ao rasgar a própria camisa durante a interpretação de “It’s a Man’s Man’s Man’s World”, lançou os pedaços sobre uma plateia extasiada, criando um delírio entre os presentes.
Além da música, Djosinha também passou pelo futebol, vencendo um campeonato com o Clube Mindelense em 1954. Ele revisita esta fase com carinho, especialmente o seu primeiro dueto com a icónica Titina Rodrigues, quando ainda era adolescente.
Agora, ao preparar-se para subirem ao palco na cidade do Mindelo para um encontro final com o seu público, Djosinha reitera o seu carinho pela audiência que sempre lhe deu as boas-vindas. O espectáculo ocorrerá na Academia Jotamont, organizado pela Serenata Produções, prometendo uma despedida à altura da sua irreverência, com a presença de convidados especiais.
Antes de se retirar, Djosinha revela ainda planos de actuar em Portugal e Luxemburgo ainda este ano. Como ele próprio afirma: “não é o fim, é apenas uma pausa, um encostar de portas”, mantendo a música a ecoar no seu coração e na sua alma.


