Quase estagnado, o stock de crédito bancário à economia avançou somente 1% no primeiro semestre, um ritmo lento que o elevou para 8.987 mil milhões de kwanzas, face aos 8.903 mil milhões contabilizados em Dezembro. São mais 84,3 mil milhões de kwanzas em seis meses, uma fatia concentrada sobretudo nos particulares e no comércio, segundo cálculos do jornal Expansão a partir dos dados do Banco Nacional de Angola (BNA).
O quadro muda quando a comparação recua um ano. Em termos homólogos, o crédito à economia subiu 12% face a 2025 — um salto bem mais expressivo do que a fotografia dos últimos seis meses deixa antever. A explicação está na descida das taxas de juro iniciada em 2025, no rasto do alívio da política monetária que acompanhou a desaceleração da inflação, hoje a rondar os 10,1%. O banco central protagonizou o maior ciclo consecutivo de cortes de que há registo: cinco reduções seguidas da taxa directora, arrancadas em Novembro de 2025, que a devolveram a níveis anteriores à pandemia.
Menos taxa directora, menos Luibor. A referência interbancária recuou e, com ela, baixou o custo do crédito para famílias e empresas. Junta-se a esta conjuntura a estabilização do câmbio face ao dólar. O BNA insiste que a cotação resulta das forças do mercado, mas, na prática, tem travado uma nova desvalorização do kwanza, apesar do «backlog» que persiste no mercado cambial. Num regime plenamente flexível, esse desequilíbrio tenderia a empurrar a moeda para a depreciação.
E é aqui que a leitura em kwanzas engana. O stock atingiu máximos históricos na moeda nacional, mas em dólares conta-se outra história. Longe vão os anos de 2013 e 2014, quando o crédito ultrapassava os 30 mil milhões de dólares. Hoje, o montante equivale a cerca de 9,9 mil milhões de dólares — pouco mais de um terço do pico de 32,6 mil milhões alcançado em 2014.
O crédito continua, ainda assim, aquém do que a economia precisa. A banca mantém uma preferência nítida por financiar o Estado em vez de emprestar ao sector privado, num fenómeno conhecido por «crowding out». O Estado oferece risco reduzido e permite manter rentabilidades elevadas sem assumir os perigos do financiamento às empresas, cuja actividade é muitas vezes penalizada por um ambiente de negócios adverso. O capital dos bancos é remunerado, com folga, através da dívida pública, enquanto a percepção de risco associada à actividade privada permanece elevada para a maioria dos projectos. Com os juros em queda, o Expansão admite que este equilíbrio possa alterar-se de forma gradual.
Quem puxou pelo crédito foram os particulares. Até ao final de Junho, o segmento das famílias — essencialmente crédito ao consumo — foi o que mais contribuiu para o avanço registado, de acordo com os balanços da banca citados pelo Expansão.


