O custo do crédito continua a aliviar, arrastado pela descida da Luibor, a principal referência do mercado interbancário. Em julho, a taxa Luibor overnight fixou-se nos 12,0%, sinal do ciclo de flexibilização monetária conduzido pelo Banco Nacional de Angola (BNA). A queda alivia os encargos dos empréstimos concedidos a famílias e empresas, num momento em que a inflação dá mostras de desaceleração.
A Luibor — acrónimo de Taxa Interbancária de Oferta de Fundos do Mercado de Luanda — corresponde à taxa de juro que os bancos cobram entre si nas operações de cedência de liquidez. A taxa directora do BNA serve de referência para a formação das taxas Luibor, que por sua vez sustentam os juros aplicados ao crédito concedido aos clientes. Variam consoante o prazo das operações, que vai de um dia (overnight) até doze meses.
Na prática, o mecanismo é simples. Quando um cliente pede um empréstimo, o banco aplica uma taxa indexada à Luibor, acrescida de um spread que depende do perfil de risco do mutuário e da política de cada instituição. Daí que a queda da Luibor resulte, sobretudo, da redução dos juros iniciada em 2025, na sequência do alívio monetário do banco central, em resposta à trajectória descendente da inflação, que ronda hoje os 10%. O crédito ficou mais barato. E isso já se lê nas estatísticas dos bancos comerciais, com o crédito ao consumo, o crédito automóvel e o crédito às empresas em alta nos últimos meses.
O BNA protagonizou o mais longo ciclo consecutivo de desaperto monetário desde que há registos. Foram cinco cortes sucessivos da taxa directora, iniciados em novembro de 2025, que a devolveram a níveis anteriores à pandemia. Ao baixar a taxa directora, o banco central pressionou a Luibor em baixa e, com ela, o custo do crédito para quem pede dinheiro emprestado.
O alcance destes números vai além da estatística. Mais crédito barato significa mais dinheiro a circular na economia e mais consumo privado, condições hoje consensualmente apontadas como motor do crescimento — a Índia é um dos exemplos habitualmente lembrados. De acordo com o jornal Expansão, seria necessário recuar trinta meses, até janeiro de 2024, para encontrar uma média mensal da Luibor overnight abaixo da actual. Nesse mês, a taxa ficou nos 6,9%.
Nem sempre foi assim. Ao longo de 2024 a tendência inverteu-se e a Luibor disparou, chegando a ultrapassar a barreira dos 30% num dos períodos de maior aperto monetário de que há memória, à boleia de uma inflação também recorde no pós-pandemia. Nesta semana, a taxa overnight rondava os 12,03%, consolidando a descida dos últimos meses. Ainda assim, o mínimo histórico mantém-se em dezembro de 2023, quando recuou para 4,0%, o valor mais baixo desde que há registos.


