Basta um instante de exposição directa para comprometer a visão para sempre. O aviso ganha peso esta quarta-feira, 12 de agosto, quando um eclipse solar parcial cobrirá cerca de 90% do disco solar visível a partir do Luxemburgo. O fenómeno resulta da passagem da Lua entre a Terra e o Sol e terá início por volta das 19h20.
O Ministério da Saúde e da Segurança Social aproveitou a ocasião para recordar as regras essenciais de observação. A primeira é simples e não admite excepções: nunca olhar directamente para o Sol sem protecção apropriada. Nem quando a Lua oculta grande parte do astro. Nem quando o céu está encoberto.
Óculos comuns não servem. Nem os de sol mais escuros, nem os de categoria 4, nem os polarizados. Também não valem os óculos 3D. Nenhum destes filtra as radiações invisíveis que atingem a retina, e usá-los pode causar lesões permanentes. A única protecção fiável são óculos específicos para observação solar, fabricados de acordo com a norma internacional ISO 12312-2 e provenientes de um fabricante de confiança.
Antes de os usar, convém uma verificação atenta. Vincos, riscos ou pequenos orifícios inutilizam o filtro. Um teste caseiro ajuda: colocar os óculos diante de uma fonte de luz intensa, como um candeeiro. Se a luz atravessar o filtro ou surgirem pontos luminosos, está danificado — e não deve ser utilizado. Durante todo o eclipse, os óculos têm de permanecer colocados e cobrir bem os olhos e as pálpebras.
Há ainda um erro tentador que importa evitar. Apontar uma máquina fotográfica, binóculos ou um telescópio ao Sol, mesmo com os óculos de eclipse postos, é perigoso. As lentes concentram os raios e podem provocar ferimentos oculares graves.
O calor de agosto pede outros cuidados. Um boné ou chapéu, protecção solar para a pele e hidratação regular completam a lista de precauções.
Especial atenção às crianças. As pessoas que delas cuidam — pais, educadores, acompanhantes — devem vigiar de perto, sobretudo porque os mais novos tendem a retirar as protecções sem aviso. A recomendação estende-se a qualquer pessoa capaz de o fazer de forma espontânea.
Observar um eclipse sem protecção adequada pode provocar uma queimadura irreversível na retina. O processo é indolor, o que o torna traiçoeiro. Depois chegam os sinais: quebra da visão, uma mancha negra ou cinzenta no centro do campo visual, uma zona desfocada, imagens deformadas, cores e contrastes alterados. Alguns danos atenuam-se com o tempo mas outros ficam para sempre.


