Uma creche, uma escola primária, uma maison relais e uma sala polivalente vão coabitar sob o mesmo tecto. É esta a promessa do futuro complexo Rout Lëns Schoul, cuja primeira pedra acaba de ser assente no bairro que está a transformar uma antiga zona industrial de Esch-sur-Alzette. Um só edifício, quatro funções — e um orçamento de 75 milhões de euros.
O projecto é conduzido pela Câmara Municipal de Esch e insere-se no novo bairro Rout Lëns, desenvolvido pela promotora IKO Real Estate sobre um antigo terreno fabril abandonado. Habitação, espaços públicos, serviços de proximidade e equipamentos colectivos: o plano quer devolver vida a um lugar outrora dominado pela indústria, com aposta na mistura social, na mobilidade suave e na qualidade do quotidiano.
No centro dessa visão está a escola. Concebida pelo atelier FABECK ARCHITECTES, em conjunto com a HLG ingénieurs conseils e a JEAN SCHMIT ENGINEERING, a Rout Lëns Schoul assumirá a forma de um verdadeiro campus educativo. Diariamente, poderá acolher até 360 alunos do ensino primário e 54 crianças na creche. A estes juntam-se duas turmas do Centro para o Desenvolvimento Motor — sinal de que a inclusão e a acessibilidade não ficaram esquecidas. Lá dentro haverá salas de aula e de interacção, biblioteca, ateliers adaptados a cada faixa etária, uma cozinha pedagógica e até uma cozinha de produção que abastecerá também outros estabelecimentos escolares da cidade.
«Rout Lëns é muito mais do que um novo bairro. É um projecto de cidade, pensado para as gerações presentes e futuras», afirmou Christian Weis, burgomestre de Esch-sur-Alzette. «Com este complexo escolar, criamos um lugar onde as crianças poderão aprender e desenvolver-se num ambiente sustentável e inclusivo.»
A sustentabilidade é, aliás, um dos princípios estruturantes da obra. O edifício será erguido em construção de madeira, com elevado desempenho energético e a meta de se tornar neutro em carbono. Junta-se a ambição de obter a certificação WELL Gold — ou seja, luz natural, ar saudável, materiais duráveis, conforto acústico e espaços que convidam ao movimento e ao convívio. Coberturas ajardinadas, jardins pedagógicos, zonas de jogo e caminhos seguros para chegar a pé ou de bicicleta completam o conceito.
Para Meris Sehovic, vereador responsável pela transição ecológica e pelo desenvolvimento urbano, o alcance do gesto vai além do betão e da madeira. «Este projecto escolar envia um sinal forte. A transição ecológica não é apenas uma questão de edifícios, mas uma maneira de pensar a cidade de amanhã», sublinhou, defendendo uma cidade que cresce sem renunciar à identidade herdada do passado industrial. As obras deverão estar concluídas em setembro de 2028. Até lá, o antigo espaço fabril continuará a mudar de pele — agora ao ritmo das crianças que um dia o hão-de ocupar.


