O livro intitulado “Batuku de Cabo Verde – Percurso Histórico-Musical” será lançado hoje na cidade da Praia, destacando a consolidação do batuku como um género musical nacional. Esta obra realça as transformações culturais, sociais e artísticas que ocorreram na última década.
De acordo com uma fonte cabo-verdiana, a autora da obra, Gláucia Nogueira, que se dedica ao jornalismo e à investigação, analisa como o batuku deixou de ser encarado apenas como uma expressão regional, passando a ter um espaço significativo em diversos contextos culturais, académicos e mediáticos.
Nogueira salienta ainda que, nos últimos anos, o batuku ganhou visibilidade, com o surgimento de novas formações e uma redefinição dos papéis nos grupos tradicionais. Este fenómeno inclui a ascensão de novas figuras femininas que utilizam ferramentas contemporâneas para se afirmarem como intérpretes e compositoras.
Além disso, o estudo observa uma crescente participação masculina nas rodas de batuku, um fenómeno que, embora tenha antecedentes, se tornou mais proeminente na última década. Este aumento reflete mudanças sociais e uma flexibilidade nas normas de género dentro da sociedade cabo-verdiana.
Outro ponto destacado na obra é a evolução musical do batuku, que agora incorpora novos instrumentos, como o djembé, e se funde com outras expressões musicais, como o funaná, além de utilizar elementos instrumentais de cordas e teclas em algumas formações contemporâneas.
A projecção internacional do batuku também é analisada, especialmente após a inclusão do estilo na canção “Batuka”, da artista norte-americana Madonna, no álbum “Madame X” (2019). Este episódio gerou debate intenso em Cabo Verde sobre visibilidade cultural e a apropriação de património imaterial.
Durante a investigação, a autora constatou que as opiniões se dividem entre aqueles que apreciam a projeção global do gênero e aqueles que criticar a apropriação de elementos culturais tradicionais por artistas internacionais. Nogueira contextualiza este fenómeno com exemplos de outras interacções entre a música popular e expressões culturais tradicionais a nível global, afirmando que a visibilidade internacional é relevante, mas não é o principal motor da transformação do batuku.
Na sua análise, a autora considera que o principal marco do período em estudo é a plena consolidação do batuku como um género nacional, com uma forte integração no panorama musical de Cabo Verde, evidenciada pela sua inclusão nos repertórios de diversos artistas e pela crescente presença em instituições culturais, como museus e universidades.
O estudo menciona também a oficialização do Dia Nacional do Batuku, celebrado a 31 de Julho, que foi instituído pela Assembleia Nacional em 2021, coincidente com o Dia da Mulher Africana, reconhecendo formalmente a importância cultural do género.
A pesquisa conclui que o batuku continua a evoluir de forma dinâmica, sendo caracterizado por novas gerações de intérpretes, reconfiguração estética e uma expansão de espaços de actuação. Este processo, segundo a autora, está em contínua evolução e pode ser acompanhado através de plataformas digitais e de projectos de arquivo cultural.


