O primeiro turno das eleições para eleger os autarcas em França decorreu no domingo, servindo como um teste do estado do ambiente político a um ano das eleições presidenciais. De acordo com informações publicadas pelo jornal France 24, os resultados mostraram uma participação muito baixa.
O partido de extrema-direita está a ver na próxima corrida eleitoral a sua maior oportunidade de tomar o poder, especialmente com a saída do presidente centrista Emmanuel Macron, que não pode concorrer novamente após completar os dois mandatos. As eleições, que ocorrem em cerca de 35 mil vilas, cidades e bairros urbanos, realizam-se em duas fases, aos domingos consecutivos.
Após uma participação recorde de 2020, durante a pandemia de coronavírus, analistas estão atentos a estas corridas para avaliar o possível desinteresse do eleitorado. Segundo estimativas de várias organizações de sondagens, a participação global ficou entre os 56% e os 58,5%, comparado com os 63,55% nas eleições de igual importância em 2014. François Kraus, do instituto IFOP, referiu que, “à parte de 2020, atingimos um mínimo histórico sob a Quinta República”.
Adelaide Zulfikarpasic, da IPSOS BVA, acrescentou que “a apatia pública está a crescer”, o que considera “más notícias para a nossa democracia”. Na verdade, a maioria das comunas em França são pequenas localidades rurais onde as eleições locais costumam ser despolitizadas. Contudo, profissionais de ciência política, como Nonna Mayer, acreditam que estas escolhas podem dar uma ideia do estado de espírito do país, especialmente nas grandes cidades.
“As questões nacionais terão mais peso em grandes cidades, podendo apresentar pistas sobre a dinâmica eleitoral dos principais partidos”, afirmou Mayer. O resultado em cidades como Paris, Lyon, Marselha e Nice será crucial.
Num dos locais de votação em Paris, Clarisse Bremaud, uma produtora de exposições de 26 anos, sublinhou a importância de participar em cada eleição: “Sinto que é ainda mais crucial hoje, com o que está a acontecer em França, especialmente com a evolução da política no país e no mundo.”
Historicamente, as principais cidades de França têm sido governadas por partidos de centro-esquerda ou pelos Republicanos. Em contrapartida, o partido de extrema-direita, Reunião Nacional, liderado por Marine Le Pen, e o partido de esquerda de Jean-Luc Mélenchon têm dificuldade em estabelecer uma forte presença local. O Reunião Nacional, que somente governa uma grande cidade com mais de 100.000 habitantes—Perpignan—, ambiciona conquistar centros urbanos noutro lado do país, como Toulon e Marselha, a segunda maior cidade de França.


