A investigação arqueológica no Luxemburgo reuniu cerca de 200 profissionais, investigadores, estudantes e voluntários, naquela que se tornou a maior iniciativa científica dedicada ao património cultural da Grande Região. A quinta edição das Journées d’actualité de la recherche archéologique au Grand-Duché de Luxembourg (JALUX) decorreu no campus de Esch-Belval, numa organização do Instituto Nacional de Investigações Arqueológicas (INRA), em cooperação com a Universidade do Luxemburgo. Segundo o Governo do Luxemburgo, o encontro, realizado durante dois dias, percorreu milhares de anos de história, da Pré-História aos Tempos Modernos.
Entre os trabalhos apresentados estiveram investigações sobre sítios neolíticos no leste do país e o projecto BLACKAXES.DH, que utiliza inteligência artificial na análise de achados líticos. O programa passou ainda pelos primeiros resultados das escavações preventivas de Altwies, pela antiga aglomeração de Schandel, pelas sepulturas do século I descobertas em Heinerscheid-Auf Fring, pelo tesouro de solidi «Um Rank» e pela criação de um gémeo digital do teatro galo-romano de Dalheim. As descobertas na necrópole merovíngia de Audun-le-Tiche, no cemitério de Burmerange, na igreja dos Trinitários em Vianden e nos castelos de Beaufort e Bettendorf levaram a discussão até à Antiguidade tardia e à Idade Média.
A arqueologia mais recente também teve espaço, com as escavações da antiga Biblioteca Nacional, uma fundição do século XIX em Fischbach e o projecto BouLux, um estudo arqueometalúrgico considerado inédito na Europa sobre 215 balas de canhão «austríacas» encontradas em Luxembourg-Bonnevoie. A valorização dos vestígios arqueológicos foi igualmente abordada através do INRA InSitu, uma proposta de exposição itinerante sobre a arqueologia luxemburguesa, enquanto o debate «Fouiller en 6 mois – mission (im)possible?» encerrou as jornadas.
Na abertura, a 1 de Outubro, o ministro da Cultura, Eric Thill, destacou a evolução registada desde a legislação de 2022, que permite ao Estado assumir 100% dos custos das escavações arqueológicas e da investigação posterior, procurando assegurar a independência científica sem transferir esses encargos para os operadores dos sectores da habitação e do ordenamento. O Governo do Luxemburgo recorda ainda a convenção assinada em Dezembro de 2025 entre o INRA e a Universidade do Luxemburgo, que já deu origem a conferências, formações, estágios e projectos de investigação. Criado apenas em 2022, o INRA reforça agora a cooperação com instituições luxemburguesas e parceiros científicos da Grande Região e de outras universidades europeias.



