A admissão de apenas sessenta estudantes marca o arranque do primeiro ano lectivo da Academia Militar de Timor-Leste, um número definido em função da capacidade instalada e dos objectivos traçados para a instituição. A reduzida dimensão da turma inaugural reflecte o carácter selectivo do processo, que parte de um universo muito mais alargado de interessados em iniciar uma carreira nas forças armadas timorenses.
De entre 320 candidatos oriundos de vários municípios, apenas 214 foram apurados para a fase de provas, revelou Nuno Corvelo, presidente da Comissão de Recrutamento de Estudantes da Academia Militar 2026. De acordo com o The Dili Weekly, o responsável explicou que serão admitidos sessenta estudantes, entre homens e mulheres, sendo seleccionados os que obtiverem os melhores resultados nos testes. «Não há quotas específicas para mulheres ou homens», sublinhou, acrescentando que dos 214 candidatos que passaram à fase de provas, sessenta são mulheres e os restantes homens, ainda que a comissão espere que o resultado final venha a proporcionar oportunidades equitativas a todos.
Os requisitos de admissão fixam idades compreendidas entre os 17 e os 20 anos até Dezembro deste ano, faixa etária considerada produtiva para o desenvolvimento de uma carreira militar. Quanto à estatura mínima, exige-se 1,64 metros para os homens e 1,60 metros para as mulheres. A fase em curso assenta em provas culturais nas disciplinas de Matemática, Português e Inglês, que ditam quais os candidatos autorizados a prosseguir para as etapas seguintes — os exames médicos e físicos que antecedem o ingresso na Academia Militar, sediada em Aileu.
Segundo Corvelo, alguns candidatos ficaram pelo caminho nas fases anteriores por excederem o limite de idade ou por não disporem da documentação comprovativa das habilitações académicas, em particular o certificado do ensino secundário. O presidente da comissão garantiu que o apuramento decorre com total transparência e sem favoritismos, esclarecendo que os laços familiares — ser filho de general, oficial ou veterano — não pesam de forma alguma na decisão. «Este é um processo rigoroso e sem familiarismos. A comissão compromete-se a conduzir esta selecção com transparência», afirmou.
Entre quem aguarda o resultado contam-se candidatos que vêem no ingresso uma vocação de longa data. Uma jovem identificada pelas iniciais DJA, natural do município de Aileu, manifestou a esperança de entrar para a academia e de servir o país: «Ser militar sempre foi o meu sonho desde pequena.» Idêntico entusiasmo demonstrou o candidato identificado por SNS, para quem o objectivo central é contribuir para a nação. «Ganhar ou perder não é o principal; a grande motivação é servir o país», declarou, assegurando que aceitará qualquer desfecho com determinação e que, caso não seja seleccionado, procurará outras formas de contribuir para Timor-Leste.


