Uma carta está a circular no Parlamento Europeu, alertando para a concentração que poderá resultar do sistema de atribuição de cotas contido no Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O documento indica a possibilidade de que grandes empresas agrícolas sul-americanas possam abusar deste sistema. De acordo com informações publicadas pela Euronews, a missiva foi enviada ao Comissário da Agricultura da UE, Christophe Hansen, e ao Comissário do Clima, Wopke Hoekstra, numa altura em que o acordo está prestes a entrar em vigor de forma provisória na próxima semana, a 1 de Maio, mesmo após advertências de agricultores europeus sobre a concorrência desleal proveniente das importações da América Latina.
“Ao longo de mercados que já estão altamente concentrados, particularmente no Brasil, existe um alto risco de que os volumes sejam capturados por um número limitado de grandes grupos industriais que têm capacidade financeira e administrativa para aceder às cotas e operar através de subsidiárias localizadas na Europa”, refere a carta.
O acordo, assinado em meados de Janeiro entre a UE e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, estabelece cortes nas tarifas de ambos os lados do Atlântico, criando uma zona de livre-comércio com mais de 700 milhões de pessoas. Negociado ao longo de 25 anos, inclui cotas tarifárias para produtos sensíveis como carne bovina e aves, permitindo a entrada na UE de 99.000 toneladas de carne bovina por ano com tarifas de 7,5% e 180.000 toneladas de aves a 0%, ambas com um período de implementação de cinco a seis anos.


