A combinação de árvores, culturas agrícolas e recursos naturais num só sistema de gestão passou a ocupar o centro da resposta timorense às alterações climáticas e à construção de uma economia verde. A agrofloresta é encarada como estratégia-chave pela Secretaria de Estado das Florestas (SEF), num país onde a agricultura e a silvicultura sustentam boa parte do quotidiano. Timor-Leste sente na pele os efeitos do clima. Padrões de chuva alterados, secas prolongadas e degradação dos solos afectam a produtividade e o sustento das comunidades, sublinhou o secretário de Estado Fernandino Vieira, segundo o jornal The Dili Weekly.
Não se trata apenas de uma técnica agrícola. O conceito assenta num sistema de gestão que junta árvores, quintais e recursos naturais, gerando benefícios económicos, ecológicos e sociais, explicou Vieira durante um encontro de trabalho do grupo nacional dedicado à agrofloresta para a resiliência climática e o desenvolvimento sustentável, realizado no City8, em Manleuana, Díli. O modelo ajuda a absorver carbono, a travar a erosão e a melhorar a qualidade do solo. Assim se reforça a capacidade das populações para resistir aos choques do clima.
Há também um argumento de bolso. Ao apostar em produtos como fruta, café, cacau e outros bens florestais, as famílias diversificam o rendimento e deixam de depender de uma única fonte. Para o responsável, o desenvolvimento da agrofloresta é ainda decisivo para proteger a biodiversidade e assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas — algo que exige, na sua leitura, uma articulação estreita entre o Governo, as instituições científicas, o sector privado e as comunidades locais para uma correcta implementação dos sistemas agroflorestais.
Do lado das autoridades municipais, o presidente da Autoridade Municipal de Liquiçá, Paulino Ribeiro, comprometeu-se a trabalhar com a população para que plantas, animais e sistemas agroflorestais não sejam prejudicados. Vai coordenar-se com as estruturas locais do município na protecção do território, afirmou. Todo o esforço depende de uma boa colaboração entre as partes. Falta ainda, para já, um plano de acção capaz de orientar o futuro da agrofloresta, apoiar a adaptação climática e consolidar a economia verde em Timor-Leste.


