A ligação entre a saúde humana e a preservação do planeta esteve no centro do Luxembourg Sustainability Forum 2026, que reuniu 780 participantes, dos quais 300 presencialmente e 480 através da Internet. Organizado pela IMS – Inspiring More Sustainability –, o evento decorreu sob o tema «Futuros saudáveis – Melhor saúde, melhores vidas, melhor planeta», juntando especialistas para debater os desafios climáticos, a saúde mental e a construção de uma sociedade mais sustentável.
O encontro contou com conferências, entrevistas, debates e experiências participativas. O objectivo passou por demonstrar que proteger os ecossistemas e cuidar da saúde das populações são responsabilidades inseparáveis. A abertura, onde o Letzebuerg Hoje marcou presença, ficou marcada pela actuação do poeta Tanguy R. Bitariho, que lançou um apelo à acção através da poesia.
Entre os principais intervenientes esteve o epidemiologista Sir Andy Haines, que alertou para as consequências das alterações climáticas na saúde, nomeadamente as ondas de calor, a insegurança alimentar e os problemas psicológicos. Anne Vergison, responsável pela divisão da inspecção sanitária da Direcção da Saúde do Luxemburgo, abordou os efeitos das temperaturas extremas na mortalidade, as desigualdades na exposição ao calor e a vigilância de doenças emergentes transmitidas por vectores.

A importância da natureza para o bem-estar também ganhou destaque. Julie Schadeck, directora-geral da UNature Luxembourg, proporcionou aos participantes uma experiência sensorial de passeio pela floresta, demonstrando como o contacto com elementos naturais e os sons dos pássaros pode contribuir para reduzir a ansiedade. Nora Elvinger, do Ministério do Ambiente, Clima e Biodiversidade, sublinhou a necessidade de preservar os benefícios proporcionados pelos ecossistemas florestais.
O debate estendeu-se à alimentação, à prevenção de doenças e à qualidade dos espaços urbanos. Maurice Bauer, primeiro vereador da Cidade do Luxemburgo, apresentou iniciativas municipais relacionadas com a alimentação nas cantinas, a escolha de materiais de construção, a qualidade do ar e o aumento das zonas verdes. A plantação de árvores, desenvolvida em colaboração com a IMS, foi apontada como exemplo de uma intervenção destinada a melhorar o ambiente urbano.

A saúde mental e as condições de trabalho ocuparam igualmente uma parte importante do fórum. Aurelia Hack analisou os efeitos da hiperconectividade, da aceleração do quotidiano e da inteligência artificial na atenção e nas relações humanas. David Büchel, psicólogo do trabalho na Câmara dos Assalariados, chamou a atenção para o stress crónico e a pressão do tempo no mercado laboral luxemburguês. A apneísta Anne-Sophie Mouraud, participante nos campeonatos mundiais de 2026, conduziu ainda uma experiência de respiração, defendendo a necessidade de preservar o equilíbrio pessoal.
O encontro terminou com uma intervenção de Sandrine Dixson-Declève, presidente honorária do Clube de Roma, que defendeu modelos económicos capazes de valorizar o bem-estar colectivo, reduzir as desigualdades e ultrapassar uma avaliação do progresso baseada exclusivamente no Produto Interno Bruto. A IMS, associação independente de utilidade pública com 19 anos de actividade no Luxemburgo, considera que a saúde das pessoas, a justiça social e a protecção ambiental devem fazer parte de uma mesma estratégia de desenvolvimento sustentável.



