Uma obrigação soberana de pelo menos mil milhões de euros, emitida de forma nativa através da tecnologia blockchain, vai colocar o Luxemburgo na dianteira europeia deste tipo de financiamento público. O título deverá ter uma maturidade de dez anos e será denominado em euros, constituindo, segundo o Governo do Luxemburgo, uma estreia na Europa.
O anúncio foi feito pelo ministro das Finanças, Gilles Roth, durante a apresentação do projecto de Orçamento do Estado para 2027. A operação surge depois de o Luxemburgo ter lançado, em 2025, um certificado de tesouraria digital, dando agora um passo de maior dimensão na utilização da blockchain na gestão da dívida soberana.
A nova obrigação ficará sujeita ao direito luxemburguês e contará com as infra-estruturas de mercado necessárias para responder às exigências dos investidores institucionais. De acordo com o Governo do Luxemburgo, a integração num ambiente regulamentado e já testado deverá permitir que o título seja elegível como garantia nas operações de crédito do Eurosistema, uma característica destinada a reforçar a sua liquidez e atractividade junto dos investidores.
A obrigação soberana será também cotada na Bolsa do Luxemburgo. Apesar de o montante pretendido ser de, pelo menos, mil milhões de euros e de estar prevista uma maturidade de dez anos, ainda não existe uma data definitiva para a emissão. O calendário será estabelecido em função do interesse demonstrado pelos investidores e das condições existentes nos mercados financeiros.
Com esta operação, o Luxemburgo pretende associar uma emissão soberana de referência à tecnologia blockchain, levando para uma escala muito superior a experiência iniciada com o certificado digital de 2025. A iniciativa insere-se na estratégia apresentada pelo Governo do Luxemburgo para recorrer a infra-estruturas financeiras digitais sem afastar a emissão dos mecanismos regulamentados do mercado tradicional.



