O risco de financiamento do terrorismo no Luxemburgo existe, mas permanece globalmente controlado e está sobretudo associado a operações de pequena dimensão. A nova Avaliação Nacional dos Riscos de Financiamento do Terrorismo (ENR FT 2026) identifica como principal ameaça os actores isolados, pequenas células e combatentes terroristas estrangeiros, geralmente ligados à ideologia jihadista, seguindo-se grupos de extrema-direita e etno-nacionalistas. Segundo o Governo do Luxemburgo, esta ameaça é classificada como «média», enquanto os cenários envolvendo directamente organizações como o Estado Islâmico ou a Al-Qaïda são considerados de nível «baixo» e continuam, actualmente, largamente teóricos.
O documento, elaborado sob a direcção do Ministério da Justiça e adoptado pelo Comité de Prevenção do Branqueamento e do Financiamento do Terrorismo em 29 de Junho de 2026, aponta vulnerabilidades concretas no sistema financeiro. Bancos de retalho, bancos comerciais e instituições que operam em linha apresentam uma exposição mais elevada devido ao grande volume de transacções, aos pagamentos por cartão, aos serviços bancários digitais e à clientela transfronteiriça. Também os estabelecimentos de pagamento, instituições de moeda electrónica e prestadores de serviços de activos virtuais recebem uma classificação de risco «elevado», nomeadamente pela rapidez das transferências, baixos montantes, reduzido contacto presencial e alcance internacional das operações.
Fora do sector financeiro tradicional também há áreas sob atenção. Os concessionários automóveis apresentam um risco inerente «elevado», relacionado com a dimensão do sector, o volume das transacções e a eventual utilização de numerário. Profissões jurídicas e contabilísticas situam-se entre os níveis «médio» e «elevado», devido sobretudo à criação de estruturas societárias e às operações imobiliárias. Pessoas colectivas e construções jurídicas apresentam igualmente vulnerabilidades relacionadas com a transparência e identificação dos beneficiários efectivos. Já nas organizações sem fins lucrativos, o Governo do Luxemburgo destaca sobretudo o perigo de desvio de fundos quando estas actuam em regiões fortemente expostas ao terrorismo e onde os mecanismos locais de controlo são frágeis.
A avaliação não significa, contudo, que o Luxemburgo esteja perante uma ameaça terrorista elevada. O que mede é o risco de o sistema financeiro e determinadas actividades económicas serem utilizados para recolher, movimentar ou aplicar dinheiro destinado ao terrorismo. As medidas de prevenção, detecção de operações suspeitas, investigação criminal e recuperação de activos fazem baixar a maioria dos riscos residuais para níveis «baixos» ou «médios», segundo a ENR FT 2026. A actualização responde também às observações feitas pelo GAFI na avaliação do Luxemburgo de 2023 e procura reforçar a vigilância sobre um país particularmente exposto a fluxos financeiros internacionais devido à sua posição como centro financeiro e jurisdição de trânsito.



