As rendas anunciadas no Luxemburgo voltaram a acelerar, com uma subida de 5,8% no segundo trimestre de 2026 face ao mesmo período do ano passado, enquanto os preços de venda das habitações mostram sinais de estabilização. Segundo o Governo do Luxemburgo, os dados da 20.ª edição do “Logement en chiffres”, publicação conjunta do Observatório da Habitação e do Statec, mostram que o aumento das rendas pedidas para novos contratos ficou bastante acima da inflação geral, que atingiu 2,4%. Já as rendas dos contratos em vigor tiveram uma evolução mais moderada, de 1,3% num ano. Os quartos mobilados representam actualmente cerca de 14% dos anúncios de arrendamento, contra menos de 3% no início da década de 2010, e as respectivas rendas anunciadas aumentaram 102,6% entre 2010 e 2025.
No mercado de compra e venda, o índice geral dos preços da habitação recuou 2,2% em termos anuais no segundo trimestre, embora tenha aumentado 1,1% relativamente aos primeiros três meses deste ano. Os apartamentos existentes ficaram 0,6% mais baratos num ano, as casas existentes registaram uma descida de 3,7% e os apartamentos em construção recuaram 2,5%. A actividade imobiliária também continua a normalizar-se depois do nível excepcional registado em 2025: foram vendidos 1.274 apartamentos entre Abril e Junho, mais 8,2% do que no trimestre anterior, mas menos 33,9% em termos homólogos. Destes, 1.049 eram apartamentos existentes e apenas 225 estavam em construção, um número quase 68% abaixo da média dos segundos trimestres entre 2017 e 2021. Foram ainda contabilizadas 709 transacções de casas, contra uma média de 909 no mesmo período entre 2017 e 2021.
A localização permanece decisiva para o preço. Os apartamentos tendem a ficar mais baratos por metro quadrado à medida que aumenta o afastamento da cidade do Luxemburgo, enquanto os imóveis de menor dimensão apresentam geralmente valores mais elevados por metro quadrado. Os apartamentos em construção custam, em média, entre 23% e 29% mais do que apartamentos existentes de dimensão semelhante. Nas casas, as diferenças territoriais são ainda mais acentuadas: o preço médio de uma habitação existente chega a cerca de 1,37 milhões de euros no cantão do Luxemburgo, enquanto no norte do país pode ser aproximadamente 88% inferior. Os novos índices regionais mostram ainda que, entre o primeiro trimestre de 2015 e o segundo trimestre de 2026, os preços dos apartamentos existentes aumentaram 73,5% a nível nacional, enquanto nos apartamentos VEFA a subida atingiu 113,2% na região da capital, contra 74,2% no restante território.
A nova edição do “Logement en chiffres” altera também a metodologia utilizada para medir a evolução dos preços, passando a considerar o tempo de deslocação até à cidade do Luxemburgo em vez da simples distância à capital. O objectivo é reflectir melhor a acessibilidade efectiva de cada habitação. Com este novo método, a variação anual dos preços no segundo trimestre de 2026 seria de -1,6%, contra -2,2% segundo o cálculo anterior. O impacto global é limitado, embora seja mais significativo em alguns segmentos, nomeadamente nos apartamentos em construção. Os números traçam, assim, um mercado onde as transacções começam a recuperar alguma normalidade e os preços de venda estabilizam, ao mesmo tempo que a pressão volta a intensificar-se para quem procura actualmente uma casa para arrendar.



