Um risco ligeiramente acrescido de meningioma passa a constar das informações de segurança de alguns contraceptivos que contêm desogestrel ou etonogestrel. Apesar da alteração, o risco continua a ser considerado muito baixo e as mulheres que utilizam estes contraceptivos não devem interromper o tratamento sem aconselhamento médico, segundo um alerta do Governo do Luxemburgo.
A decisão resulta de uma recomendação emitida em Julho de 2026 pelo Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC), que determinou a inclusão deste risco no folheto destinado às pacientes e no resumo das características destes medicamentos. Sob a autoridade da Divisão da Farmácia e dos Medicamentos da Direcção da Saúde, os laboratórios envolvidos já transmitiram aos profissionais de saúde no Luxemburgo as novas medidas de segurança.
Os dados disponíveis indicam que a grande maioria das mulheres que utiliza contraceptivos à base de desogestrel ou etonogestrel nunca desenvolverá um meningioma. Ainda assim, o risco parece aumentar com a duração da utilização e é mais elevado entre mulheres com mais de 45 anos. Estes contraceptivos passam a estar contra-indicados para quem tenha actualmente um meningioma ou antecedentes desta doença. Na escolha do método contraceptivo mais adequado, os profissionais de saúde deverão também considerar uma eventual exposição anterior a outros progestativos.
Os meningiomas são tumores geralmente benignos das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinal e apresentam, habitualmente, uma evolução lenta. Dependendo da localização, podem provocar alterações da visão ou audição, zumbidos, perda do olfacto, dores de cabeça persistentes, problemas de memória, crises de epilepsia ou fraqueza num membro.
Quem já utiliza um destes contraceptivos pode continuar o tratamento normalmente. Segundo o Governo do Luxemburgo, uma interrupção sem aconselhamento médico deve ser evitada devido ao risco de uma gravidez não desejada. Na ausência de antecedentes de meningioma ou de sintomas que possam levantar suspeitas, também não existe necessidade de procurar assistência médica com urgência. Dúvidas ou preocupações podem ser abordadas com o médico ou ginecologista na consulta seguinte, sendo aconselhada uma reavaliação periódica da contracepção tendo em conta idade, historial médico, estilo de vida e necessidades de cada mulher.



