Mais uma etapa do programa de mobilidade laboral entre Timor-Leste e a Austrália arranca com a partida de 135 trabalhadores, colocados em dez empresas australianas. O apelo que os acompanha é directo. Disciplina, bom comportamento e responsabilidade, com o domínio do inglês apontado como a chave para um regresso mais qualificado. A recomendação partiu do Presidente da República timorense, José Ramos-Horta, durante a assinatura de uma declaração entre os trabalhadores e o Governo, no Hotel Palm Springs, em Fatuhada, Díli.
“Um bom comportamento servirá de exemplo para os outros, e é muito importante que os trabalhadores aproveitem a oportunidade para aprender inglês, de forma a aumentarem a sua capacidade profissional ao regressarem a Timor-Leste”, afirmou o chefe de Estado. Quem parte não procura apenas melhores condições de vida. Ramos-Horta frisou que estes migrantes contribuem de forma directa para o desenvolvimento económico do país e para o reforço das relações bilaterais com a Austrália. As economias dos dois territórios estão interligadas, e sempre que a australiana cresce com vigor, Timor-Leste colhe frutos pelo emprego criado e pelos rendimentos enviados por quem trabalha no estrangeiro.
Do lado do Governo, o Secretário de Estado para a Formação Profissional e Emprego, Rogério Araújo Mendonça, confirmou a colocação dos 135 trabalhadores nas dez empresas. O SEFOPE mantém a formação e o acompanhamento para que os contratos e os procedimentos acordados entre os dois governos sejam cumpridos. Há um propósito preventivo nesta engrenagem. Ao viajarem por canais oficiais, os timorenses ficam abrangidos pela protecção legal prevista nos acordos bilaterais. O programa nasceu em 2012 e, desde então, já permitiu que 25.366 cidadãos timorenses trabalhassem em território australiano.
A distribuição geográfica desta leva abrange vários estados — Queensland, Austrália do Sul, Tasmânia, Nova Gales do Sul, Vitória e Austrália Ocidental —, segundo o Embaixador Adjunto da Austrália em Timor-Leste, Edward Wilkinson, citado pelo semanário The Dili Weekly. O diplomata realçou o contributo destes trabalhadores para a indústria e para as comunidades australianas, a par do reforço dos laços interpessoais que sustentam a relação entre os dois Estados. O Governo australiano, acrescentou, mantém o compromisso de assegurar uma experiência de trabalho segura, positiva e sustentável para os trabalhadores e as suas famílias, num esforço orientado para o desenvolvimento de Timor-Leste a longo prazo.


