A fatia do Orçamento Geral do Estado reservada ao ensino deverá subir até aos 15 por cento, numa aposta destinada a reabilitar infra-estruturas escolares degradadas e a travar a erosão da qualidade do ensino na Guiné-Bissau. O compromisso foi assumido pelo primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, durante a cerimónia que encerrava o ano lectivo 2025/2026 e abria o de 2026/2027, sob o lema «Unidos pela Educação, Reformas Educativas e Sucesso para Todos». Té foi mais longe, prometeu reforçar a inclusão feminina nas salas de aula e recordou que a educação é um direito de todos, independentemente das condições sexuais, físicas ou económicas.
Cada docente passará a receber o salário no próprio local de trabalho, por via bancária ou através da Orange Money — uma forma, argumenta o executivo, de manter os professores focados no essencial. Outra decisão apanha muitas famílias de surpresa. As festas de conclusão do 12.º ano e as do Jardim de Infância serão abolidas. «Não é aceitável que haja festejos antes da conclusão de um ciclo académico que exige a obtenção de um diploma», atirou o governante, atento ao peso destas comemorações no orçamento dos encarregados de educação. A medida segue em breve para Conselho de Ministros.
O ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, Barros Bacar Banjai, trouxe realismo ao discurso. Erguer um sistema educativo, defendeu, é tarefa colectiva que o Governo não resolve sozinho. E o dinheiro escasseia. A falta de financiamento tem obrigado escolas a funcionar em três e quatro turnos diários, um regime que o ministro quer aliviar através da redução da carga horária no ensino público. O apelo assenta nos compromissos internacionais que Bissau subscreveu e que, insistiu, têm de ser cumpridos.
De acordo com a Agência de Notícias da Guiné-Bissau, o ministério prepara uma estratégia de digitalização e controlo orçamental assente em quatro pilares, da colocação docente informatizada à desmaterialização financeira, passando por uma auditoria digital que promete apertar a supervisão pedagógica. Banjai fechou o balanço com satisfação contida pelo ano lectivo que terminou. E com esperança no que agora arranca.


