A presença de uma das novas forças da oposição santomense nas eleições legislativas e autárquicas de 2026 ficou comprometida com a rejeição de várias candidaturas em diferentes círculos eleitorais. A decisão partiu do Tribunal Constitucional. A coligação MCI-PUN contesta-a e promete recorrer. Segundo o jornal Telanon, o presidente da formação, Nino Monteiro, denunciou em conferência de imprensa, no sábado, a comunicação recebida na véspera da deliberação — estavam, garante, cumpridas todas as condições para concorrer.
No centro da polémica está a exclusão de oito nomes das listas. Para o Tribunal Constitucional, tratava-se de militantes de outros partidos, impedidos por isso de integrar a coligação. Monteiro recusa a leitura. Alguns dos visados, sustenta, abandonaram as antigas filiações há anos e muitos nunca chegaram a disputar eleições por essas forças. A oferta de substituir os candidatos em causa esbarrou numa resposta seca: a lista estava encerrada. «Fomos informados de que não seriam aceites mais nomes», lamentou o dirigente.
Outra frente abriu-se em torno da autenticidade dos documentos e das assinaturas apresentadas no processo. O Tribunal alega ter detectado indícios de falsificação. Monteiro descarta qualquer denúncia formal de um militante e reduz o episódio a um candidato descontente com o lugar que lhe coube na lista, que pretendia retirar o nome. O líder da coligação desafia agora o Tribunal a tornar públicas as impugnações que fundamentaram a decisão, defendendo que a sociedade tem o direito de conhecer as razões do chumbo.
O apelo do MCI-PUN estende-se aos observadores internacionais e a organismos como a CPLP, chamados a acompanhar o processo em nome da transparência democrática. Numa mensagem dirigida ao povo de São Tomé e Príncipe e à diáspora, Monteiro reafirmou que a coligação não aceitará ficar de fora. A formação, diz, atravessa uma fase de crescimento, e a exclusão surge-lhe como tentativa de sufocar a única oposição que poderá restar no futuro. O recurso das decisões judiciais está anunciado.


