A consolidação dos progressos alcançados contra o sarampo e a rubéola entrou numa fase decisiva, agora centrada em transformar resultados em provas sólidas. São Tomé e Príncipe prepara-se para o processo de verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que deverá confirmar se a transmissão das duas doenças permanece efectivamente interrompida. A vacinação abriu caminho. Falta demonstrá-lo com dados.
Durante dois dias, membros do Comité Nacional de Verificação reuniram-se com representantes da OMS, do Ministério da Saúde e do Programa Alargado de Vacinação, numa sessão de orientação dedicada aos critérios exigidos para a certificação. De acordo com o jornal Téla Nón, o objectivo foi claro: passar dos avanços registados para evidências capazes de sustentar que a circulação do vírus está travada. Em representação do gabinete da OMS no país, Jéssica da Veiga Soares considerou o momento um marco, sublinhando que o exercício ultrapassa a esfera meramente técnica. «Trata-se de reforçar os mecanismos nacionais destinados a documentar, monitorizar e sustentar os progressos alcançados na eliminação do sarampo e da rubéola», afirmou.
Ter vacinas seguras e eficazes não dispensa vigilância permanente — o alerta partiu da própria responsável da OMS. Sem acompanhamento contínuo, capacidade de resposta e demonstração assente em dados, qualquer avanço fica exposto ao risco de reintrodução da doença. Soares recordou ainda a dimensão colectiva do trabalho realizado. «Os avanços registados em São Tomé e Príncipe na eliminação do sarampo não resultam, como dizia anteriormente, do esforço de uma única instituição ou de um único grupo de especialistas», observou, atribuindo os resultados ao empenho conjunto do Governo, dos profissionais de saúde e dos parceiros de desenvolvimento.
Do lado do Ministério da Saúde, Isaulina Barreto defendeu uma estrutura sólida, competente e independente, com autoridade para analisar com rigor os dados de vacinação e de vigilância epidemiológica. Os dois dias de trabalho serviram para aprofundar o conhecimento sobre os procedimentos da OMS, clarificar as responsabilidades de cada membro do comité e definir medidas concretas de preparação. A meta é conhecida. Reunir critérios e provas que permitam ao arquipélago demonstrar, perante a OMS, que os ganhos obtidos vieram para durar.


