A criação de sete departamentos vai reorganizar a governação de uma das maiores unidades da Universidade de São Paulo, sem mexer nos cursos, nos currículos ou nos diplomas de quem ali estuda. A decisão foi tomada recentemente pela Congregação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH): com 27 membros presentes, foram 23 votos a favor, dois contra e duas abstenções, incluindo as alterações necessárias ao regimento da unidade. De acordo com o Jornal da USP, as discussões remontam a 2014 e o processo institucional arrancou no final de 2015, atravessando várias direcções. A matéria segue agora para as instâncias competentes, até à deliberação final do Conselho Universitário, órgão máximo da USP.
Criada em 2005 na zona leste de São Paulo, a EACH nasceu com uma ideia então invulgar: juntar, num só espaço, cursos e áreas do saber que a USP costuma manter dispersos, ao serviço da democratização do acesso ao ensino superior público. Hoje reúne perto de cinco mil estudantes de graduação e pós-graduação, 271 docentes e 183 funcionários técnicos e administrativos, em 11 cursos de graduação e 11 programas de pós-graduação — é a terceira maior unidade da USP em estudantes, a quinta em docentes e a oitava em área construída, com mais de 10 mil profissionais formados e mais de dois mil títulos de mestrado e doutoramento conferidos. Toda essa dimensão convivia com uma ausência peculiar: a escola nunca teve departamentos, e as tarefas que noutras unidades cabem às chefias departamentais recaíam sobre coordenações de curso, direcção e colegiados. O arranjo serviu na implantação; deixou de servir à escala actual. Os novos departamentos são os de Ciências Ambientais e Biológicas; Ciências Exactas e Engenharias; Ciências Sociais Aplicadas; Computação; Humanidades, Educação e Artes; Políticas Públicas; e Saúde e Desenvolvimento Humano.
Para os estudantes, na prática, quase nada muda. Mantêm-se os cursos, os programas, as estruturas curriculares, os requisitos, os diplomas e os vínculos, e o Ciclo Básico continua a ser o tronco comum da formação inicial. O que se transforma é a governação: a distribuição dos encargos de ensino passa a caber aos conselhos de departamento, aliviando as coordenações de curso, e a proposta prevê ainda 21 novas vagas de funcionários técnicos e administrativos, três por departamento. As sete estruturas foram desenhadas a partir de campos de actuação docente, e não de cursos isolados — todos os cursos de graduação e dez dos 11 programas de pós-graduação contam com docentes de mais de um departamento. A cooperação entre áreas, já hábito nos corredores e laboratórios da escola, passa a ser obrigação regimental, e uma portaria interna instituiu um grupo de trabalho para propor mecanismos de apoio à integração interdisciplinar.


