A eliminação do tracoma como problema de saúde pública valeu a Timor-Leste uma distinção internacional. O Prémio de Reconhecimento por Resultados em Saúde Pública da Organização Mundial da Saúde foi entregue em Díli à ministra da Saúde, Élia dos Reis Amaral, pelas mãos do director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no âmbito da 79.ª Sessão do Comité Regional para o Sudeste Asiático, que o país acolhe até 10 de setembro.
A 3 de setembro, a OMS confirmou o fim do tracoma como problema de saúde pública no território, no termo de uma avaliação de vários anos. Timor-Leste tornou-se o quarto país da Região do Sudeste Asiático da OMS e o 33.º a nível mundial a alcançar esse reconhecimento. Era o último país da região onde a doença permanecia conhecida ou suspeita, e os restantes nunca tiveram historial endémico. Toda a região fica, assim, livre do tracoma.
Causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, o tracoma é a principal causa infecciosa de cegueira em todo o mundo e atinge sobretudo comunidades com acesso difícil a água potável, saneamento e cuidados de saúde. A decisão da OMS assentou em anos de investigação e vigilância: entre 2015 e 2017 foram examinadas crianças em Ataúro, feitos rastreios em clínicas oftalmológicas de todo o território e conduzidas acções de procura activa de casos, sem qualquer detecção. Já em 2025, um estudo analisou 4.949 amostras de crianças entre um e cinco anos e não encontrou sinais de transmissão que justificassem uma intervenção específica.


