Um punhado de cartazes conta uma revolução. Produzidos em Cuba entre 1966 e 2019, os impressos que combatem o colonialismo e o imperialismo estão agora reunidos numa mostra que faz do design gráfico uma arma política. A exposição «A Solidariedade Tem Uma Imagem: Cartazes Cubanos da Organização de Solidariedade dos Povos da África, Ásia e América Latina (Ospaaal)» permanece patente até ao dia 19 deste mês no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo, com entrada gratuita.
Responsável pelos trabalhos, a Ospaaal nasceu durante a Conferência Tricontinental, realizada em janeiro de 1966 para aproximar povos de África, da Ásia e da América Latina. Manteve-se activa até 2019. De acordo com o Jornal da USP, a curadoria é assinada por Carolina Amaral de Aguiar, docente do Instituto de Relações Internacionais da mesma universidade, em parceria com o historiador alemão Ulrich Mücke, da Universidade de Hamburgo, e a investigadora Natália Ayo Shmiedecke. «A arte foi muito mobilizada em prol da Revolução Cubana», resume a curadora.
Financiada pela organização, a revista Tricontinental surgiu em 1967 como veículo das ideias de libertação nacional. Nas suas páginas circularam manifestos de figuras como Che Guevara e Salvador Allende — o presidente chileno deposto pelo golpe de Augusto Pinochet — e ensaios de intelectuais como Gabriel García Márquez. Os cartazes vinham dobrados e encartados na publicação. Interrompida em 1991, com a recessão que se seguiu ao colapso da União Soviética, a revista foi retomada em 2000 e encerrada em 2019. Chegou a ter cerca de 100 mil assinantes em mais de 80 países.
Entre os motivos mais recorrentes estão o apelo à luta armada, a emancipação do povo negro e o combate ao Apartheid sul-africano. Há peças que retratam Allende de arma em punho diante da bandeira do Chile e outras que cruzam quatro línguas em torno da palavra de ordem «Poder ao Povo». Uma secção final reúne trabalhos do século XXI, marcados pelo isolamento e pelo embargo económico imposto a Cuba. A mostra pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 21h, no MAC da USP, na Avenida Pedro Álvares Cabral, em Ibirapuera.


