A promessa de arrancar os pequenos negócios à informalidade continua por cumprir. As carteiras digitais ganham terreno entre os jovens angolanos — mais de 65% da população —, mas atacam os sintomas e não as causas. O dinheiro em espécie continua a mandar na economia. E há um número que expõe a distância entre a adesão e o uso real: a taxa de actividade mensal destas soluções ronda apenas os 25,7%.
De acordo com o jornal económico Expansão, as doze carteiras autorizadas no país carecem de propostas de valor capazes de mudar o jogo — do microcrédito para a gestão de caixa das zungueiras, as vendedoras ambulantes, a serviços financeiros que ultrapassem o simples pagamento. Sem isso, acabam a competir directamente com o Multicaixa Express que, embora associado à banca comercial, cumpre com eficácia a função de meio de pagamento. O resultado é um ecossistema lucrativo, com milhares de utilizadores, mas pobre em valor para quem mais precisa dele.
A aposta vem de trás. A estratégia traçada em 2017 pretendia colocar Angola no mapa das nações com moeda electrónica, com o objectivo de «massificar o processo de inclusão financeira da população não bancarizada», sobretudo a de menores rendimentos, onde a penetração bancária permanece baixa. Prometia acesso a serviços financeiros e transacções mais simples e baratas através do telemóvel, dotando ainda o sistema de pagamentos de um canal seguro, rápido e moderno.
O enquadramento legal chegou depois. Em agosto de 2024, o Banco Nacional de Angola (BNA) autorizou a abertura de contas e a emissão de moeda electrónica, existindo actualmente 18 Prestadores de Serviços de Pagamentos, dos quais 12 são carteiras digitais móveis. Para Paulo Araújo, director-geral da Wicconect, o que interessa não é o número de operadores no mercado, mas a capacidade de cada serviço para responder às necessidades reais da população.


