A reforma constitucional que reforça de forma acentuada os poderes do chefe de Estado foi aprovada em referendo na Guiné-Bissau, num processo que a oposição considera ilegítimo. A Comissão Nacional de Eleições confirmou 70% de votos a favor do «Sim», contra 30% pelo «Não», com uma afluência superior a 50%. A consulta decorreu a menos de dez meses de um golpe militar que derrubou o poder instituído.
O novo texto institui um sistema presidencial muito mais forte. Permite ao presidente nomear e demitir o primeiro-ministro e os ministros, além de dissolver o parlamento. Os defensores da mudança argumentam que o modelo actual tem alimentado choques sucessivos entre presidência, governo e parlamento, e que uma autoridade executiva reforçada garantiria maior estabilidade. As autoridades de transição prometem devolver o país ao governo civil, com eleições presidenciais e legislativas marcadas para 6 de dezembro.
Nem todos aceitam os resultados. Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, classificou o referendo como inválido, sustentando que instituições nascidas de um golpe não têm mandato para alterar a lei fundamental. Em declarações à DW, considerou o processo uma extensão da tomada de poder de novembro. Fernando Dias Costa, principal adversário do antigo presidente Umaro Sissoco Embaló — cuja eleição foi anulada pelos militares —, contestou os números da participação e garantiu que poucos cidadãos foram às urnas.


