As grandes divisões do nosso tempo — raça, nacionalidade, género, pertença — ganham nova leitura em três conjuntos de obras que interrogam o que significa, hoje, ser humano.
A mostra chama-se «Rhapsody of the Unseen» e reúne o trabalho recente de Maryam Najd, artista que faz da pintura um instrumento de questionamento. As telas não procuram respostas, oferecem, antes, um espaço de reflexão. No centro está uma inquietação que atravessa toda a obra: quanto daquilo que somos nos pertence verdadeiramente e quanto já foi definido pela sociedade em que vivemos.
Najd parte da observação, mas também da própria experiência de mulher que viveu em diferentes sociedades. Raça, nacionalidade, género, identidade, repressão e censura são os fios que percorrem os três projectos. Cada um aborda estas questões a partir de um ângulo distinto. Juntos, reflectem sobre as estruturas sociais e políticas que moldam o mundo à nossa volta e sobre a forma como cada pessoa é tratada enquanto ser humano.
Para a artista, a arte nunca é apenas estética. É um modo de abrandar o olhar — sobre o mundo e sobre os outros. O simbolismo, a alegoria e a ambiguidade permitem que vários sentidos coexistam, tornando possível tocar em assuntos difíceis sem os reduzir a fórmulas simples. A pintura não funciona aqui como terapia nem como fuga. É outra maneira de enfrentar o real.
«Através da pintura, tenho a possibilidade de imaginar e recriar aquilo que a realidade não conseguiu concretizar», escreve Najd. As obras não impõem categorias. Convidam a olhar para lá das etiquetas familiares e a reconsiderar valores e fronteiras que continuam a condicionar as nossas vidas.
Entre as séries expostas conta-se «Seven Shades of Blood», de 2024, o «Botanic-National amalgamation project» e a tela «War Flowers and the Songbird of the Orient», de 2025. A exposição pode ser vista na galeria Nosbaum Reding, na rue Wiltheim, na capital. Abre hoje e está patente até 3 de outubro.


