As doenças transmitidas pelo mosquito tigre avançam pela Europa, em territórios cada vez mais próximos do Luxemburgo. Dengue e chikungunya deixaram de ser problemas distantes: todos os verões, a vizinha França regista casos autóctones — contágios ocorridos no próprio país, sem qualquer ligação a viagens. E o vector dessas doenças está agora confirmado em Bonnevoie.
A vigilância regular conduzida ao longo dos últimos anos pela Inspecção Sanitária da Direcção da Saúde confirmou recentemente que o Aedes albopictus circula no bairro. Não se trata de novidade absoluta. Desde 2023 que se vinham acumulando sinalizações do insecto nesta zona da capital. A repetição dos casos leva as autoridades a concluir que a espécie está hoje localmente instalada — veio para ficar.
É neste contexto que arranca uma acção de sensibilização porta a porta. Amanhã, agentes da Direcção da Saúde percorrem as imediações do Kaltreispark, precisamente onde os mosquitos foram detectados. O objectivo é directo: explicar aos moradores os gestos que travam a proliferação do insecto.
A vigilância não se limita a este bairro nem a este momento do ano. De meados de abril a meados de novembro, o Governo do Luxemburgo mantém armadilhas espalhadas pelo país, concebidas para recolher ovos ou mosquitos adultos. Cada exemplar capturado é depois identificado em colaboração com o Luxembourg Institute of Science and Technology, o LIST.
Há também um papel para os cidadãos nesta rede. Através da aplicação gratuita Mosquito Alert, qualquer pessoa pode fotografar e comunicar um mosquito suspeito. Estas participações ajudam a mapear a presença da espécie e a afinar a resposta das autoridades.
E depois há o essencial, aquilo que se decide dentro de casa e no quintal. O mosquito tigre põe os ovos sobretudo em água parada junto às habitações — bastam quantidades mínimas. Esvaziar e limpar, pelo menos uma vez por semana, os recipientes e os pequenos pontos de água é a medida mais eficaz para interromper o ciclo de reprodução.
Os depósitos de água da chuva devem permanecer tapados. As caleiras e os sistemas de escoamento têm de ficar desobstruídos. Convém ainda arrumar, ao abrigo da chuva, todos os objectos capazes de reter água. A estas precauções somam-se as protecções individuais: redes mosquiteiras sobre as camas ou nas janelas fazem diferença.


