Um lucro recorde assente sobretudo em ganhos ainda por concretizar marca as contas de 2025 do fundo soberano angolano. Os resultados líquidos triplicaram, ao passar de 175,8 para 527,0 milhões de dólares — o valor mais alto desde a criação da instituição.
O salto de 200% face ao ano anterior explica-se, na sua maior parte, por mais-valias potenciais. Ou seja: ganhos que decorrem da reavaliação de activos pelo seu justo valor, e não de vendas efectivas. De acordo com o Expansão, o Fundo Soberano de Angola (FSDEA) fechou o exercício com um resultado bruto de 544,9 milhões de dólares, ao qual foram descontados 12,2 milhões em custos operacionais e 5,7 milhões em custos financeiros.
A dinâmica que sustenta estes números pede cautela. As reavaliações ao justo valor incidem sobre subsidiárias, e não sobre o preço de aquisição, tal como determinam as normas internacionais de contabilidade. O problema está na margem de subjectividade que estas avaliações comportam, sobretudo quando envolvem empresas não cotadas em bolsa, cujos métodos assentam em previsões e premissas que variam consoante o avaliador. Não é caso inédito. Auditores externos já haviam deixado o mesmo alerta em anos anteriores, nomeadamente em 2016, quando o fundo registou lucros pela primeira vez.


