O endividamento do Estado moçambicano agravou-se logo no arranque de 2026. Nos primeiros três meses do ano, o Governo contraiu cerca de 9,2 mil milhões de meticais de dívida adicional — mais 1% do que nos últimos três meses de 2025.
O número global impressiona. Entre janeiro e março, a dívida total do país fixou-se em 1.099.788,31 milhões de meticais, o equivalente a 17.208,39 milhões de dólares. Grande parte deste salto explica-se pela componente interna, que passou de 474.508,83 milhões para 529.837,81 milhões de meticais, uma subida de 12%.
De acordo com o O País, o crescimento decorre das novas emissões de dívida no âmbito da Facilidade de Crédito junto ao banco central. O dado que verdadeiramente marca o trimestre não é o valor bruto, mas a mudança de composição: a dívida interna sobe enquanto a externa recua.
Esse recuo tem números concretos. Segundo o Boletim da Dívida Pública do Primeiro Trimestre, a dívida externa caiu 7,5%, para 8.918,02 milhões de dólares, ao mesmo tempo que a interna seguia sentido inverso e chegava aos já referidos 529.837,81 milhões de meticais.
A oscilação resulta de duas frentes. Por um lado, a operação de adiantamento do Banco de Moçambique para o pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI); por outro, o compromisso assumido pelo Governo de privilegiar a contratação de dívida em condições altamente concessionais.
A dívida directa do Sector Empresarial do Estado registou uma redução de 2,98% face ao quarto trimestre de 2025, resultado de pagamentos parciais entretanto realizados.
Nos credores bilaterais, o quadro manteve-se estável. A China, Portugal e o Japão continuam a concentrar os maiores pesos do stock externo, com 14,5%, 4,6% e 4,5% do total da dívida bilateral, respectivamente.


