As seis empresas estatais de comunicação social de Angola encerraram 2025 com perdas acumuladas de 12,7 mil milhões de kwanzas, um agravamento de 5,5% em relação ao ano anterior, mesmo depois de o Estado ter injectado 39,2 mil milhões de kwanzas para financiar rádio, imprensa escrita e televisão.
O apoio público cresceu 14,5% face aos 34,2 mil milhões de kwanzas atribuídos em 2024, sem que tenha havido qualquer capitalização das empresas ao longo do exercício. Falamos da Televisão Pública de Angola (TPA), da Rádio Nacional de Angola (RNA), das Edições Novembro — responsáveis pelo Jornal de Angola, entre outros títulos —, da Tv Zimbo, da Média Nova, que edita o jornal O País e a Rádio Mais, e ainda da agência Angop. Os números constam dos relatórios anuais de gestão divulgados na semana passada pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), avança o Expansão.
Depois de fechadas as contas e pagos os impostos, apenas duas das seis conseguiram terminar o ano no verde. A RNA fechou com 275 milhões de kwanzas de lucro; a Média Nova, com 143 milhões. No extremo oposto está a TPA, habitual líder do ranking dos prejuízos, com uma perda de 10,4 mil milhões de kwanzas — um agravamento de 37,8%.
Há um dado que ultrapassa a leitura estritamente financeira. Com excepção das Edições Novembro, o sector público mantém-se afastado da realidade do país e do próprio negócio, praticamente ignorando questões como audiências, programas mais vistos ou número de assinantes. A dependência dos cofres do Estado, ano após ano, continua a ser a marca do sistema.


