Um pedido de prisão preventiva contra o presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) foi entregue às autoridades judiciais do país, sob o argumento de que o dirigente poderá fugir para o estrangeiro.
O pedido partiu de Justino Sá, presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF). Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné (ANG), o responsável sustentou que Carlos Alberto Mendes Teixeira — conhecido no meio desportivo por Caíto — é detentor de dois passaportes. O Ministério Público reteve-lhe o documento guineense. Ainda assim, terá conseguido viajar recentemente com o passaporte português.
«Estamos preocupados com o silêncio do Ministério Público perante a situação, porque, depois da suspensão das medidas aplicadas contra a sua pessoa pelo Supremo Tribunal de Justiça, ficámos perante um silêncio total sobre o assunto. E ele está a circular dentro e fora do país, como se fosse uma pessoa que não responde perante a justiça», afirmou.
No centro da contenda está o alegado paradeiro desconhecido de 180 milhões de francos CFA. O montante foi disponibilizado pelo Tesouro Público à FFGB para custear a deslocação da selecção de São Tomé e Príncipe a Bissau, onde se realizou um jogo amigável. O Supremo Tribunal de Justiça mandou anular as medidas de caução aplicadas ao dirigente, por entender que o Ministério Público, na qualidade de investigador do crime, não tinha competência para as decretar. As investigações, essas, prosseguem. E é precisamente por recear que Caíto Teixeira escape à justiça através do segundo passaporte que Justino Sá defende a sua condução à prisão preventiva até ao desfecho do processo.
A conversa estendeu-se ao braço-de-ferro entre Dembo Sissé e Rui da Silva no seio da LGCF. Questionado sobre a recente decisão do Tribunal de Relação, Justino Sá recordou que a instância identificou várias irregularidades na Assembleia-Geral que legitimou o mandato de Rui da Silva, em desrespeito pelos estatutos da instituição.
«A ambição de Caíto Teixeira, querer ter tudo sob o seu controlo na FFGB, levou-o a abrir uma guerra desnecessária com Dembo Sissé, que estava simplesmente a trabalhar para o bem do futebol nacional», acusou. Segundo o mesmo responsável, para desacreditar Dembo Sissé, o presidente da federação terá mobilizado alguns dirigentes de clubes para organizar nova Assembleia-Geral e instalar na respectiva presidência alguém que o ajudasse a consolidar o mandato.
O comportamento de certos dirigentes mereceu-lhe uma classificação dura: traição e falsidade. «Esse tipo de comportamento prova outra face dos guineenses. Por tudo o que Dembo Sissé fez para impulsionar os clubes de futebol, não escapou de receber punhaladas pelas costas, por parte de alguns dirigentes», lamentou.
Caíto Teixeira responde em tribunal por um montante de 183.300.000 FCFA, verba destinada ao fretamento do avião que transportou a comitiva da selecção são-tomense para o amigável com «Os Djurtus», disputado a 14 de junho de 2023, em Bissau.


