A chegada às carteiras das primeiras moedas de euro com a efígie do Grão-Duque Guillaume serve de pretexto a uma viagem pela memória monetária do país. É essa a proposta lançada pela Casa Grão-Ducal, em conjunto com o Espaço Numismático do Banco Central do Luxemburgo (BCL), que convida o público a redescobrir as moedas e as notas históricas onde figuram os retratos dos antigos soberanos. O percurso começa com a Grã-Duquesa Charlotte.
Charlotte reinou entre 1919 e 1964. A primeira moeda cunhada com a sua efígie surgiu em 1929, saída da Staatliche Münze, a casa da moeda de Estugarda. Cinco anos antes, em 1924, tornara-se também a primeira soberana luxemburguesa cujo rosto passou a figurar num « bon de caisse », o antigo bónus de caixa emitido pelo Estado.
As peças do seu reinado eram densas em simbologia. Além dos emblemas da monarquia — retratos, brasões e monograma —, a moeda deu rosto ao « Feiersteppler », o pudlador, operário emblemático da siderurgia luxemburguesa. Esta figura acompanhou a cunhagem nacional de 1924 até ao seu desaparecimento, em 1991. A gravura da efígie de Charlotte numa das moedas de prata coube a Armand Bonnetain.
A história das notas seguiu caminhos mais longos. Em 1943, com o país sob ocupação, o governo no exílio encomendou à American Bank Note uma nova série de notas — de 100, 10 e 5 francos — com o retrato de Charlotte, pensada para restabelecer a moeda nacional assim que chegasse a libertação. As notas de 20 e de 50 francos, essas, foram impressas no Reino Unido por várias empresas britânicas. Consoante o local de produção, o desenho inspirava-se ora no dólar norte-americano, ora na libra esterlina.
Ao longo de todo o reinado, moedas e notas nasceram em diferentes países europeus. Um verdadeiro projecto europeu antes do seu tempo, como lhe chama a Casa Grão-Ducal.
A efígie de Charlotte não desapareceu com o franco. Depois da introdução do euro, em 2002, o seu retrato voltou a marcar presença em moedas comemorativas que assinalam efemérides dinásticas. E é justamente uma nova mudança de reinado que motiva esta releitura: Guillaume subiu ao trono a 3 de outubro de 2025 e as moedas de circulação com a sua efígie começam a entrar em uso ao longo de 2026, prolongando a tradição de gravar o soberano reinante na moeda do país.
Quem quiser ver de perto esta herança pode fazê-lo no Espaço Numismático do BCL, na 43, rue Monterey, de segunda a sexta-feira, das 10h30 às 16h.


