As prolongadas vagas de calor e os sucessivos períodos de seca estão a enfraquecer, de forma cada vez mais evidente, as florestas do país. O perigo de incêndio é o que primeiro vem à cabeça. Mas não é o único. Ramos que caem sem aviso, árvores que partem e um problema que, muitas vezes, se esconde onde ninguém o vê — em exemplares que, à primeira vista, parecem perfeitamente saudáveis.
O alerta foi deixado num encontro com a imprensa, na floresta comunal de Leudelange. O ponto de situação, dedicado à evolução do estado das florestas perante as condições meteorológicas, contou com a presença do director da Administração da Natureza e das Florestas (ANF), Michel Leytem, acompanhado por Martine Neuberg, responsável pelo Serviço de Florestas, e por Michel Krischel, chefe da circunscrição Sul.
A falta de água ao longo de semanas tem consequências directas na vitalidade das árvores. Com menos recursos, desenvolvem-se e regeneram-se com dificuldade acrescida. Há ainda um efeito menos visível: privada de água, a madeira perde elasticidade. E o que é que isso significa na prática? Mais rupturas, mais quedas de ramos e, no limite, a possibilidade de a árvore inteira ficar instável.
A ANF apela, por isso, a uma vigilância reforçada de quem frequenta estes espaços. Recomenda-se especial atenção durante passeios e actividades na floresta, sobretudo depois de intempéries ou de longos períodos de seca. Nas pausas, o mais seguro é escolher zonas abertas, afastadas das árvores. Convém circular apenas pelos trilhos assinalados e respeitar de forma rigorosa as interdições temporárias e as medidas de segurança em vigor. Qualquer actividade susceptível de gerar faíscas ou provocar incêndios deve ser evitada.
No campo da prevenção, a administração trabalha para reforçar a resiliência das florestas públicas face aos efeitos das alterações climáticas. Uma das apostas passa pela criação de florestas mistas, formadas por várias espécies de árvores adaptadas às condições do solo e de cada local. O esforço não é solitário: a ANF articula-se de perto com o Corpo Grão-Ducal de Incêndio e de Socorro (CGDIS) e com o Ministério dos Assuntos Internos, em particular no que toca a fogos florestais e de vegetação.
A floresta continua a ser um espaço natural vivo, onde certos perigos ligados ao próprio ambiente não podem ser totalmente afastados. Em caso de acidente, o número a contactar é o 112.


