O aprofundamento das relações entre o Luxemburgo e as Filipinas ganhou novo fôlego com uma visita de trabalho ao arquipélago asiático, marcada pela reafirmação do apego comum ao direito internacional e por avanços concretos no plano bilateral. Foi a primeira etapa de uma deslocação mais alargada ao Sudeste Asiático.
Coube ao Vice-Primeiro-Ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo, Xavier Bettel, conduzir esta agenda, que assinalou também os 80 anos de relações diplomáticas entre os dois países. O calendário não foi escolhido ao acaso. Ao longo da estada, houve encontros com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Theresa Lazaro, e com a ministra do Comércio e da Indústria, Cristina Roque, além de uma recepção dedicada a esta efeméride, na qual participaram Lazaro e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Leo Herrera-Lim.
Nas várias conversas com os interlocutores filipinos, foi sublinhado o compromisso partilhado com uma ordem internacional assente em regras e com o multilateralismo. As trocas de impressões permitiram ainda percorrer alguns dos dossiers regionais e internacionais mais sensíveis do momento — a situação no Sudeste Asiático, no Médio Oriente e na Ucrânia.
No capítulo bilateral, registaram-se progressos rumo à conclusão de um acordo de não dupla tributação, o chamado CONDI. As relações têm-se intensificado desde a anterior deslocação, em fevereiro de 2026, com destaque para o sector espacial. A previsibilidade nas relações internacionais foi um ponto insistentemente frisado, com o Luxemburgo a apresentar-se como um parceiro fiável, previsível e aberto, empenhado em identificar novas oportunidades para ambos os lados.
Já em Manila, a agenda incluiu a reunião de alto nível que comemorou o 50.º aniversário do Tratado de Amizade e Cooperação da ASEAN, conhecido pela sigla TAC. Vale recordar como o Grão-Ducado ali chegou: assinou o tratado na Cimeira da ASEAN em Vienciana, em 2024, tornando-se o quinto Estado-membro da União Europeia e o 55.º país a aderir. Este ano, em Manila, sete novos signatários juntaram-se ao instrumento — Chipre, Iraque, Lituânia, Polónia, Usbequistão, Roménia e Suécia.
Durante os trabalhos, uma sessão específica debruçou-se sobre a prevenção de conflitos e a diplomacia preventiva. Na sua intervenção, o chefe da diplomacia luxemburguesa agradeceu às Filipinas a organização do encontro e o empenho na paz e na estabilidade regionais, realçando o peso das parcerias e dos objectivos comuns. Foi precisamente essa a razão apontada para a importância de reunir os Estados-membros da ASEAN e as partes contratantes do TAC à mesma mesa.
Houve ainda espaço para um jantar oferecido pelo presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., e para uma série de encontros bilaterais à margem da reunião. Sentaram-se frente a frente o ministro Bettel e os seus homólogos do Vietname, Lê Hoài Trung, da Tailândia, Sihasak Phuangketkeow, e da Indonésia, Sugiono. A estes juntaram-se conversas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto, Badr Abdelatty.


