A guitarra portuguesa volta a atravessar as ruas de Larochette a 12 de Setembro de 2026, data marcada para a terceira edição do Rali do Fado e Canções — um percurso musical a pé, de café em café, que já se afirmou como um dos encontros mais singulares do calendário cultural luso-luxemburguês. Entrada livre, como das outras vezes.
O conceito mantém-se: fado tradicional de Portugal em diálogo com músicas do Luxemburgo, tocado não numa sala de espectáculos, mas nos balcões e nas praças de uma vila que tem na comunidade portuguesa uma das suas espinhas dorsais. Quem já lá esteve sabe o que isto significa na prática. Anda-se. Ouve-se meia hora num sítio, bebe-se um copo, segue-se para o seguinte — tudo a distância de pé.
A organização é da Lovers of the Universe a.s.b.l., associação luxemburguesa que se apresenta como projecto filantrópico vocacionado para eventos culturalmente progressistas e socialmente inclusivos. O cartaz da nova edição associa a iniciativa à comuna de Larochette (Gemeng Fiels).
O programa detalhado ainda não é público. Segundo o sítio oficial da associação, a página da terceira edição permanece em preparação, sem artistas, horários ou locais anunciados. Vale, entretanto, olhar para o que ficou para trás.
A segunda edição, realizada a 17 de Maio de 2025, juntou catorze concertos íntimos espalhados pelos cafés da vila e pela praça principal — Op der Bleech, Café du Château, Café de la Place, Fielser Stuff, Café de l’Europe, Café Snack-Bar Marinho — com oito grupos de fado, incursões pela música popular portuguesa e pelas músicas do mundo. Passaram por lá a fadista lisboeta Priscila da Costa, acompanhada pelo guitarrista João Godinho e pelo violista Paulo Levi; Paula Oliveira e Carlos Pedroso, ambos radicados no Luxemburgo há décadas; a equatoriana Maria Tejada, que traçou o paralelo entre o fado e o pasillo do seu país; Lúcia Araújo, natural de Aveiro e a viver em Paris; João Marques, emigrado na Alemanha e a celebrar 55 anos de carreira; Jaqueline Carvalho, vinda de Lisboa; o Marly Marques Duo, com a cantora luxemburguesa ao lado do pianista Arthur Possing; e O Gajo, com a sua viola campaniça de raiz alentejana. O ponto alto chegou às 22h00, na Place Bleech, com Maria Ana Bobone, uma das fadistas mais reconhecidas do mundo, que já cantou no Carnegie Hall e na Ópera do Cairo.
Houve mais do que música. A associação Pessoa levou a sua livraria itinerante de autores lusófonos, a Coordenação do Ensino Português no Benelux montou um stand educativo, serviu-se cozinha portuguesa na praça central e o fotógrafo Paulo Lobo — nascido na Baixa da Banheira e emigrado para o Grão-Ducado aos seis anos — expôs trabalho pela vila. Nesse ano funcionaram ainda transportes de ligação a partir do parque de estacionamento Filano, em Um Birkelt, de dez em dez minutos, com a route de Mersch encerrada ao trânsito.
Um conselho que se repetia em 2025 e que provavelmente se manterá: os lugares nos cafés são limitados e enchem depressa. Convém chegar cedo. Informações actualizadas sobre a edição de Setembro serão divulgadas assim que disponíveis.


