Uma estratégia europeia capaz de reforçar a produção pecuária, valorizar os produtos agrícolas da União Europeia e reconhecer o papel das mulheres no sector esteve no centro da posição apresentada pelo Luxemburgo na reunião dos ministros da Agricultura da União Europeia.
O debate decorreu em Bruxelas, durante o Conselho “Agricultura e Pescas”, onde foram discutidas as prioridades da presidência irlandesa para o segundo semestre de 2026, a futura estratégia europeia para a pecuária, o plano das proteínas, o comércio agrícola e a participação das mulheres na agricultura. Segundo o Governo do Luxemburgo, a ministra da Agricultura, Alimentação e Viticultura, Martine Hansen, aproveitou a reunião para defender uma abordagem que reforce a autonomia alimentar da União Europeia.
Na discussão sobre a estratégia para a pecuária e o plano europeu das proteínas, Martine Hansen considerou que um sector pecuário resiliente, sustentável e competitivo é indispensável para garantir a segurança alimentar e reduzir a dependência externa da União Europeia. A ministra recordou que os sistemas de criação assentes em pastagens continuam a desempenhar um papel essencial, particularmente no Luxemburgo, e defendeu que o seu desenvolvimento deve assentar num enquadramento regulamentar equilibrado.
Segundo o Governo do Luxemburgo, a governante apelou igualmente a uma maior valorização dos fertilizantes orgânicos, ao reforço das medidas de prevenção contra doenças animais e a um apoio mais consistente às indústrias de transformação, com o objectivo de aumentar a capacidade de resposta do sector agrícola perante futuras crises.
O comércio agrícola ocupou também uma parte importante dos trabalhos. Martine Hansen defendeu um reforço da protecção das indicações geográficas nos acordos comerciais celebrados pela União Europeia, considerando que estes instrumentos permitem valorizar os produtos europeus e proteger os produtores. A ministra pediu ainda uma simplificação dos processos de registo e uma maior promoção destas certificações junto dos consumidores.
Outra das propostas apresentadas pelo Luxemburgo passa pela criação de um rótulo de origem da União Europeia que permita identificar de forma mais clara os produtos produzidos no espaço comunitário, distinguindo-os dos produtos importados e valorizando o trabalho dos agricultores europeus.
A situação das mulheres na agricultura encerrou a agenda política da reunião. Segundo o Governo do Luxemburgo, Martine Hansen salientou que as mulheres desempenham um papel determinante na gestão e continuidade das explorações agrícolas familiares, defendendo um maior reconhecimento da sua contribuição para o sector.
A ministra sublinhou igualmente a necessidade de melhorar a conciliação entre a vida familiar e a actividade profissional, considerando essencial que existam soluções de substituição eficazes nas explorações agrícolas durante períodos de licença de maternidade, licença parental ou doença.


