A liberdade de comércio internacional de Angola permanece muito aquém das médias regional e mundial, num sinal de que o verdadeiro obstáculo à prosperidade já não reside nas tarifas, mas na densa malha burocrática que envolve fronteiras, portos e alfândegas. No índice Economic Freedom of the World, do Fraser Institute, o país obteve 4,972 pontos em 2023, contra 6,114 da África Subsariana e 7,144 da média mundial — uma distância que, mais do que estatística, revela uma vocação geoeconómica por cumprir, sustentada por costa atlântica, corredores logísticos, recursos minerais e uma população jovem.
De acordo com uma análise de opinião publicada no jornal angolano Expansão, o paradoxo é flagrante: nas tarifas, Angola quase acompanha a região, com um índice de 6,967, e nas receitas de impostos sobre o comércio chega mesmo a 9,393, acima das médias regional e mundial. É na floresta procedimental que a competitividade se perde. As barreiras regulatórias descem para 3,056, os custos de importar e exportar afundam-se em 2,515 e as barreiras não pautais ficam-se pelos 3,598. Cada formulário redundante funciona como um imposto sem nome, cada despacho tardio imobiliza capital e cada incerteza administrativa amputa, aos poucos, a capacidade de competir.
O ponto mais sensível encontra-se na circulação de capitais e de pessoas, onde o país regista apenas 1,855 pontos, contra 4,325 da África Subsariana e 5,552 do mundo. A abertura financeira fica-se pelos 2,500, os controlos de capitais descem a 1,538 e a liberdade de entrada de estrangeiros recebe uma pontuação nula. A série histórica reforça o diagnóstico: depois de rondar os seis pontos no início da década de 2010 e de atingir 6,077 em 2012, o indicador tombou para 3,072 em 2017 e 2018, recuperou para 5,523 em 2019, voltou a cair para 2,969 em 2022 e subiu apenas para 4,972 em 2023, deixando Angola no 154.º lugar do ranking mundial.
Casos africanos como as Maurícias, as Seicheles, Cabo Verde, o Ruanda e o Botsuana demonstram, segundo o Expansão, que a abertura ordenada é uma escolha institucional, e não uma utopia tropical. As reformas apontadas passam por simplificar as alfândegas, digitalizar as licenças, reduzir os custos logísticos, tornar previsível o câmbio e proteger os activos estrangeiros, substituindo a suspeição pelo contrato. Sem um comércio livre, adverte a análise, o país continuará a exportar matéria-prima e a importar dependência — pois a diversificação não nasce do fechamento, mas de uma fronteira desobstruída onde a economia possa finalmente respirar.


