A decisão de colocar em prisão preventiva o principal rosto da oposição guineense reacende os receios de uma escalada política na Guiné-Bissau, poucos meses depois do golpe militar que interrompeu o processo eleitoral. Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi conduzido para as celas da Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública, na capital, Bissau.
A medida decorre de uma investigação conduzida pelo Tribunal Militar, que apura a alegada participação do político numa tentativa de golpe de Estado que teria sido preparada cerca de um mês antes das eleições gerais previstas para novembro de 2025. De acordo com a Deutsche Welle, as autoridades sustentam que Simões Pereira terá disponibilizado recursos financeiros e a própria residência para viabilizar a alegada conspiração.
Os advogados do presidente do PAIGC contestam a legitimidade da detenção e denunciam aquilo que descrevem como perseguição política, argumentando que o Tribunal Militar não tem competência para julgar um cidadão civil. A defesa sustenta que o antigo presidente da Assembleia Nacional Popular apenas poderia responder perante as instâncias superiores da justiça guineense, e não perante uma jurisdição de natureza militar.
Simões Pereira e o PAIGC foram impedidos de concorrer às eleições de novembro de 2025, um escrutínio entretanto suspenso na sequência do golpe militar que derrubou o poder instituído. A situação política na Guiné-Bissau mantém-se marcada por forte instabilidade, num quadro de tensões crescentes entre as diferentes facções que disputam o controlo do Estado.


