A preservação das plantas selvagens que crescem nos campos cultivados ganhou um instrumento estratégico com a apresentação do Plano de Acção para a Flora Segetal do Luxemburgo. Com dez objectivos e 88 recomendações de acção, o documento aposta numa colaboração estreita com os agricultores para proteger espécies ameaçadas que desempenham um papel essencial na protecção dos solos, da água e das espécies polinizadoras.
O plano foi apresentado em Kopstal, na presença do ministro do Ambiente, do Clima e da Biodiversidade, Serge Wilmes, e conta com a coordenação do Sicona — Syndicat intercommunal pour la conservation de la nature —, em parceria com o projecto Aker Wëll Kraider e a iniciativa Koplescht Briddel. A acção insere-se no Plano Nacional de Protecção da Natureza (PNPN3), o instrumento estratégico do Governo luxemburguês para esta política até 2030, e a sua execução é financiada pelo Fundo para a Protecção do Ambiente.
As chamadas plantas arvenses são, na sua maioria, espécies pequenas e pouco competitivas, que praticamente não afectam o rendimento das colheitas agrícolas mas desempenham um papel muitas vezes subestimado para a biodiversidade e para a estabilidade dos ecossistemas rurais. Fornecem néctar e pólen aos insectos polinizadores, servem de alimento a aves e insectos e sustentam cadeias alimentares inteiras nos campos cultivados. Protegem ainda o solo da erosão, favorecem uma vida biológica mais rica e ajudam no controlo natural de pragas, contribuindo também para a protecção do clima.
Campos coloridos por papoilas, centáureas e outras flores silvestres, semelhantes aos retratados nas pinturas de Monet, tornaram-se cada vez mais raros. A intensificação da agricultura, a maior eficácia na limpeza das sementes e o uso generalizado de herbicidas levaram ao declínio acentuado de várias destas espécies, hoje entre os grupos de plantas mais ameaçados. Para inverter esta tendência, o novo plano prevê o reforço e a multiplicação de populações de espécies arvenses ameaçadas, a sua reintrodução em novos terrenos e a criação de campos de recolha destinados à sensibilização do público.
Entre as medidas concretas está ainda a promoção de uma exploração extensiva das terras aráveis, sem recurso a herbicidas, através de contratos de protecção da natureza subvencionados pelo Estado, no âmbito do programa «champ protégé». Levantamentos florísticos permitirão identificar as populações remanescentes de espécies raras, servindo de base à negociação de acordos com os agricultores, que continuam a beneficiar do aconselhamento técnico do Sicona e de outras estações biológicas para manter a rentabilidade das suas explorações. O objectivo final é conciliar a produtividade agrícola com o regresso de campos mais coloridos e ricos em espécies, num contributo directo para a resiliência da paisagem rural luxemburguesa.


