O valor do dinheiro, a sua fragilidade e a ironia de um simples pedaço de papel se tornar tesouro artístico estão no centro da exposição «Money», que reúne aguarelas de grande formato de notas de banco de todo o mundo, patente na galeria Nosbaum Reding Projects, na rue Wiltheim, junto ao Fëschmaart, na cidade do Luxemburgo, até 29 de agosto de 2026. Nas obras do pintor tailandês Tawan Wattuya, moedas de diferentes países são recriadas em folhas gigantes de papel, preservando as características de cada divisa, mas deixando que a fluidez da aguarela gere novas imagens — um comentário mordaz sobre a inflação, as flutuações cambiais e as crises financeiras que vão reduzindo estas notas a meros pedaços de papel.
A inauguração contou com a presença dos príncipes Guillaume e Jean do Luxemburgo, que percorreram a mostra do artista tailandês. Segundo a galeria Nosbaum Reding, as notas ampliadas jogam com a própria noção de valor: divisas cotadas de forma desigual nos mercados cambiais surgem, de repente, investidas de uma singular igualdade, e uma pequena nota que trazemos na carteira, transfigurada pela arte de Wattuya, converte-se numa obra de arte valiosa. Esta alquimia entre o valor do papel no mundo real e no mundo da arte revela o sentido agudo de ironia do pintor, como se os selos e as assinaturas dos tesoureiros de cada nota fossem agora avalizados pelo próprio artista — que, gracejando, «branqueia» todas estas moedas para as transformar em tesouros artísticos.

A lista de visitantes ilustres não se ficou pela inauguração. O Letzebuerg Hoje sabe que no mesmo dia em que visitámos a exposição também Theresa May, antiga primeira-ministra do Reino Unido, e Xavier Bettel, Vice-Primeiro-Ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo do Luxemburgo e igualmente antigo chefe do Governo luxemburguês passaram pelo local. «Estou feliz por Theresa May e Xavier Bettel terem encontrado tempo para visitar a minha exposição», afirmou Wattuya, lamentando ter regressado ao seu país antes de poder recebê-los pessoalmente. Para o pintor, estas visitas, «na sequência das de Suas Altezas Reais os príncipes Guillaume e Jean, bem como de embaixadores, cônsules, artistas e figuras de destaque do mundo empresarial», constituem «uma grande honra» e reflectem «a influência cultural e o espírito internacional do Luxemburgo».
Em declarações ao Lëtzebuerg Hoje, a partir da Tailândia, Tawan Wattuya afirmou ainda que vai tentar estar presente na finissage da exposição e mostrou-se satisfeito com a mostra no Luxemburgo, bem como com a forma como todos o receberam a ele e à sua arte. Nascido em 1973 em Banguecoque, onde vive e trabalha, e diplomado pela Faculdade de Pintura, Escultura e Artes Gráficas da Universidade Silpakorn, o pintor é sobretudo conhecido pela sua abordagem singular da aguarela, um meio que escolheu deliberadamente para traduzir a rapidez e o dinamismo que percepciona na sociedade tailandesa contemporânea. Adoptando um distanciamento crítico deliberado, estuda as situações sociais e políticas do seu país como quem as observa de fora, alimentando esse olhar com os lugares que descobre nas suas viagens — um olhar simultaneamente poético, pessoal e profundamente provocador, que fez dele um dos pintores tailandeses mais originais e empenhados da sua geração, com obras expostas em todo o mundo.

Para além das notas de banco, os retratos e pinturas de Wattuya inspiram-se em figuras reais da cultura popular — misses de beleza, celebridades, políticos, super-heróis de banda desenhada e de cinema — e em pessoas comuns que foi encontrando pelo caminho, bem como em registos de acontecimentos nacionais e internacionais. Estes símbolos sociais familiares são recriados e transformados de modo a tornarem-se fluidos, fragmentados, desfocados, reduzidos ou acentuados, levando o espectador a vislumbrar sinais de verdade escondidos sob as pinceladas de estilo expressionista. Aquilo que surge diante dos olhos pode levar cada visitante a reflectir sobre o que traz no bolso: na realidade, o que hoje consideramos valioso pode amanhã nada valer.
A exposição «Money» pode ser visitada até ao final de agosto, em simultâneo com a mostra «Sculptures & collages» de Bernd Lohaus, patente no espaço principal da galeria durante o mesmo período. A directora da Nosbaum Reding, Hinde Boulbayem, assegura visitas guiadas em francês à exposição do artista tailandês.


