A preservação da unidade nacional, ao longo de mais de cinco décadas marcadas por sucessivos conflitos armados, é apresentada como uma das maiores conquistas alcançadas desde a proclamação da independência, num balanço que valoriza em simultâneo a aposta na educação e na formação técnico-profissional como via para transformar os recursos do país em desenvolvimento efectivo. A leitura foi feita à margem das celebrações dos 51 anos da Independência Nacional e atribuída, segundo o jornal O País, ao antigo Primeiro-Ministro Adriano Maleiane, que considera terem sido registados progressos significativos no processo de construção e consolidação da nação moçambicana.
Recordando o contexto em que a independência foi proclamada, Maleiane evocou os enormes desafios então existentes, sublinhando que a taxa de analfabetismo rondava os 97% da população. «O Presidente Samora Machel liderou um importante processo de alfabetização, porque esse era o nível em que nos encontrávamos. Foi necessário um trabalho muito sério para lançar as bases do desenvolvimento», afirmou o antigo governante, citado por O País.
Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo das últimas décadas, o país conseguiu manter a sua coesão, algo que o antigo Primeiro-Ministro classifica como uma das maiores vitórias da história nacional. «Praticamente só tivemos um ano e meio de paz após a Independência. Em meados de 1976 já estávamos em guerra. Apesar disso, permanecermos unidos como estamos hoje constitui uma vitória muito grande», acentuou.
Quanto aos desafios actuais, o responsável defendeu o reforço da moçambicanidade e a promoção da convivência pacífica entre os cidadãos, num apelo directo ao fim de qualquer forma de confronto. «É preciso acabar com toda a violência, seja verbal ou armada, e estarmos juntos na construção do nosso País», declarou.
O balanço encerrou com um apelo ao investimento no capital humano como condição para aproveitar as potencialidades nacionais. Para Maleiane, a educação e a formação técnico-profissional são factores determinantes nesse percurso. «Moçambique tem tudo para dar certo. O que precisamos é investir na Educação e na formação técnica para transformar toda esta riqueza em desenvolvimento», concluiu.


