A divulgação pública dos impostos pagos pelo soberano britânico passará a integrar as contas anuais da Casa Real, naquela que será a primeira vez na história moderna do Reino Unido que um monarca torna públicas as suas declarações fiscais. A medida insere-se num esforço de modernização destinado a reforçar a transparência das finanças da família real, num momento em que a abertura em matéria de contas públicas é cada vez mais valorizada.
A iniciativa partiu do próprio Carlos III e resulta de uma decisão pessoal do monarca, segundo confirmou um porta-voz do palácio de Buckingham. Os dados serão revelados na próxima quinta-feira, dia 25 de junho, como novo elemento dos relatórios financeiros anuais da coroa, e passarão a ser divulgados de forma regular todos os anos. A informação abrangerá os rendimentos gerados pelo ducado de Lancaster — propriedade privada do rei —, os ganhos provenientes de investimentos pessoais e os impostos relativos às receitas das suas propriedades privadas, como Sandringham e Balmoral.
Ao abrigo da legislação britânica, os monarcas estão isentos do pagamento de imposto sobre o rendimento, de imposto sobre mais-valias e de imposto sucessório. Ainda assim, desde 1993, a começar pela falecida rainha Isabel II, os soberanos têm pago voluntariamente os dois primeiros. Carlos III tinha já tornado públicos os montantes que liquidava enquanto príncipe de Gales e pretende manter essa prática agora que ocupa o trono.
A decisão surge num momento de crescente escrutínio sobre a riqueza e os gastos da família real, na sequência dos escândalos que envolveram Andrew Mountbatten-Windsor e que colocaram as finanças da monarquia sob os holofotes. Segundo a BBC, o palácio de Buckingham justificou o passo como parte de um processo de maior abertura e clareza. «O nosso objectivo é explicar todos os elementos das finanças reais de uma forma que reforce a clareza e a acessibilidade, colocando-os também no seu contexto histórico e constitucional», afirmou a instituição, acrescentando que a Casa Real «continua a modernizar-se e a evoluir».
O ducado de Lancaster, uma das principais fontes de rendimento privado do monarca, constitui uma carteira diversificada de terrenos, imóveis e investimentos que rendeu ao rei cerca de 26,8 milhões de libras — perto de 35,6 milhões de dólares — no exercício de 2024-2025. Ao expor publicamente a sua situação fiscal, Carlos III procura reforçar a confiança dos cidadãos numa instituição cujas contas têm sido alvo de exigências crescentes de transparência.


