Um empate a uma bola travou o arranque de Portugal no Campeonato do Mundo de 2026 e ofereceu à RD Congo o primeiro ponto da sua história na competição, num jogo em que a selecção lusa dominou a posse de bola sem conseguir transformar essa superioridade em vantagem no marcador.
O encontro inaugural do Grupo K, disputado no estádio de Houston, no Texas, ficou decidido ainda na primeira parte. João Neves adiantou Portugal logo aos seis minutos, com um cabeceamento certeiro na sequência de um cruzamento de Pedro Neto, golo que o médio dedicou a Diogo Jota. A resposta congolesa chegou já em cima do intervalo, com Yoane Wissa a igualar também de cabeça, totalmente isolado dentro da área, num lance que desencadeou cenas de euforia entre os adeptos africanos.
O tento de Wissa, avançado do Newcastle, representou muito mais do que um simples empate. Tratou-se do primeiro golo de sempre da RD Congo numa fase final do Campeonato do Mundo, conquistado no regresso da equipa à prova após uma ausência de 52 anos — a última presença remontava à era em que o país competia sob a designação de Zaire. De acordo com a análise da Opta, o ponto somado pelos congoleses surgiu apenas à trigésima segunda tentativa do conjunto orientado por Sébastien Desabre.
Para Portugal, a igualdade soube a desilusão. A equipa de Roberto Martínez controlou o jogo, mas pecou na finalização e raramente ameaçou de forma clara a baliza adversária na segunda parte. Cristiano Ronaldo, que cumpriu os noventa minutos na sua sexta participação num Campeonato do Mundo, viveu uma tarde de frustração, sem conseguir deixar a sua marca num espectáculo em que os holofotes acabaram por iluminar o adversário.
Entre os congoleses que entraram na segunda metade encontrava-se um velho conhecido do futebol luxemburguês. Simon Banza, lançado já na fase final do encontro para o lugar de Cédric Bakambu, representou o Union Titus Pétange na temporada de 2017-2018, quando, cedido pelo Lens, se destacou como um dos melhores marcadores da Nationaldivisioun. O avançado, nascido em França e de ascendência congolesa, não conseguiu alterar o desfecho da partida, mas a sua presença no relvado constituiu um motivo de orgulho para quem acompanhou os seus primeiros passos no Grão-Ducado.
Depois da passagem por Pétange, Banza construiu uma carreira sólida que o levou a Portugal, onde brilhou ao serviço do Famalicão e do Sporting de Braga, antes de rumar à Turquia e, mais recentemente, aos Emirados Árabes Unidos, onde alinha pelo Al Jazira. O empate deixa o Grupo K em aberto e obriga Portugal, apontado como um dos candidatos ao título, a reagir nas próximas jornadas para não comprometer a qualificação, ao passo que a RD Congo parte para o resto da prova com a confiança reforçada por um resultado que poucos anteviam.


