Os laços económicos entre o Luxemburgo e a França atingiram um novo patamar de maturidade com a celebração dos dez anos do Business Club France-Luxembourg (BCFL), estrutura que se afirmou como um dos principais pontos de encontro entre as comunidades empresariais dos dois países. A efeméride serviu para reafirmar o papel do Club enquanto motor de uma relação descrita como densa, pragmática e profundamente europeia, capaz de traduzir a proximidade entre os dois territórios em oportunidades concretas para as empresas.
As comemorações contaram com a presença de Sua Alteza Real o Grão-Duque, acompanhado pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo, Xavier Bettel, pelo ministro da Economia, das PME, da Energia e do Turismo, Lex Delles, e pela ministra da Digitalização, da Investigação e do Ensino Superior, Stéphanie Obertin. Estiveram igualmente presentes o presidente e o director-geral da Câmara de Comércio, Fernand Ernster e Carlo Thelen, enquanto o Governo francês se fez representar pela ministra delegada junto do ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Eléonore Caroit.
A relação franco-luxemburguesa distingue-se pela sua intensidade e pelo seu carácter concreto, sustentada por uma vasta comunidade francesa radicada no Grão-Ducado e por cerca de 127.000 trabalhadores que residem em França e exercem actividade profissional no Luxemburgo. Inserida na dinâmica da Grande Região, esta proximidade geográfica, linguística e económica funciona como um verdadeiro laboratório de inovação e cooperação à escala europeia. Em 2025, a França foi o quarto parceiro comercial do Luxemburgo a nível mundial, representando 10,7 por cento das trocas totais do país, números que reflectem a profundidade de uma integração construída ao longo de décadas.
Reconhecida pelas principais agências de notação financeira com a classificação «AAA», a economia luxemburguesa figura entre as mais sólidas e abertas do mundo. Ao longo dos últimos anos, o país diversificou progressivamente a sua actividade, mantendo-se simultaneamente como uma praça financeira de primeiro plano e desenvolvendo um ecossistema de elevado valor acrescentado em sectores estratégicos como o espacial, a indústria de ponta, a logística, as FinTech, a cibersegurança, a inteligência artificial e as tecnologias da saúde. Os recentes investimentos luxemburgueses em empresas francesas ligadas à inteligência artificial e à defesa ilustram, segundo o Governo do Luxemburgo, a orientação de uma cooperação cada vez mais voltada para o reforço das capacidades de defesa europeia e para a soberania tecnológica do continente.
Criado em 2015 por iniciativa da Câmara de Comércio do Luxemburgo e do ministério luxemburguês dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo, o BCFL conta actualmente com cerca de 130 membros oriundos de sectores tão diversos como a finança, a aeronáutica, as tecnologias digitais, as telecomunicações, a construção e a logística. A estrutura reúne ainda cônsules honorários do Luxemburgo em França, cujo conhecimento local facilita o acesso a redes-chave e a concretização de projectos para as empresas. As relações institucionais entre os dois Estados assentam, por sua vez, em trocas políticas regulares e estruturadas, nomeadamente no quadro da Comissão Intergovernamental para o reforço da cooperação transfronteiriça.
No discurso comemorativo, o Grão-Duque sublinhou que o verdadeiro alcance da efeméride ultrapassa o plano económico, recordando que «desde há dez anos, o BCFL dá voz às relações económicas franco-luxemburguesas e um rosto a esta parceria vivida no quotidiano». Xavier Bettel destacou que o casal franco-luxemburguês continua a ser «uma parceria excepcional», ancorada numa história partilhada e moldada pela cooperação europeia. Já o presidente do BCFL, Philippe Schaus, descreveu a estrutura como «um acelerador de confiança, de cooperação e de oportunidades ao serviço de uma Europa económica mais forte», enquanto Fernand Ernster recordou que a Câmara de Comércio acompanha o Club desde a primeira hora, com a ambição de transformar a proximidade entre os dois países num «motor de oportunidades» para as empresas luxemburguesas.


