A abertura crescente dos grandes circuitos cinematográficos às vozes do Sul global ganha novo fôlego com a 28.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF), que pela primeira vez acolhe obras provenientes de países como Moçambique e o Gana. Realizado entre 12 e 21 de junho, o certame — criado em 1993 e único festival de categoria A na China — consolida a sua trajectória rumo a uma representação mais equilibrada da criação cinematográfica mundial, com uma participação cada vez maior de filmes oriundos de África, da América Latina, do Médio Oriente e do Sudeste Asiático.
Os números desta edição confirmam a atractividade do evento e atingem marcas históricas. Foram submetidas cerca de 4.100 longas-metragens, provenientes de 125 países e regiões, um recorde absoluto para o festival. Das aproximadamente 3.000 obras elegíveis para as diferentes competições, 82% são apresentadas em estreia mundial ou internacional, um dado que reforça o rótulo «primeiro em Xangai» como montra privilegiada para jovens realizadores de todo o mundo, sobretudo os que provêm de regiões ainda pouco representadas nos grandes circuitos internacionais. Metrópole de primeiro plano e centro dos intercâmbios económicos e culturais da China, Xangai afirma assim o seu papel como plataforma mundial de diálogo e cooperação no sector do cinema.
O dinamismo da programação traduz-se na multiplicação de iniciativas dedicadas ao intercâmbio cultural entre regiões. Por ocasião do 70.º aniversário das relações diplomáticas entre a China e o Egipto, uma Semana do Cinema Egípcio reúne cerca de trinta filmes, entre clássicos e obras independentes inéditas no país, enquanto o espaço «Focus Brasil» homenageia a criação latino-americana contemporânea no âmbito do Ano Cultural Sino-Brasileiro 2026. O International Film Market acolhe igualmente um número crescente de produtores, distribuidores e compradores da África Subsariana, da Ásia Central e das Caraíbas. Na competição oficial do Prémio Jin Jue (Golden Goblet Award), os doze filmes seleccionados são todos apresentados em estreia mundial — um inédito na história deste galardão —, sendo avaliados por um júri presidido pelo actor de Hong Kong Tony Leung Chiu-wai e composto por 21 profissionais de 16 países e regiões, entre os quais a Tunísia, o México, o Cazaquistão e Singapura.
Esta aposta na diversidade integra, segundo o Téla Nón, uma estratégia de longo prazo destinada a reforçar o intercâmbio entre culturas e a dar maior visibilidade aos criadores emergentes. «A nossa ambição é fazer de Xangai uma plataforma aberta a todas as vozes do cinema mundial», sublinhou um responsável do comité organizador durante a conferência de lançamento. Num momento em que os equilíbrios da paisagem audiovisual internacional continuam a mudar, a 28.ª edição do SIFF ilustra a emergência de novos pólos culturais e cinematográficos e confirma a vontade do festival de se afirmar como um dos encontros incontornáveis do cinema mundial no século XXI.


