Black Side e Irina Barros nos Cabo Verde Music Awards
A homenagem aos pioneiros do hip hop kriol é um dos momentos centrais anunciados para a 15.ª edição dos Cabo Verde Music Awards, o Prémio Oficial da Música Cabo-Verdiana, agendada para 6 de junho no Porto da Cidade do Mindelo, em São Vicente. Os Black Side foram confirmados como convidados especiais da gala, num reencontro destinado a celebrar uma das vozes mais influentes da música urbana do arquipélago. A cantora luso-angolana Irina Barros surge igualmente entre os artistas convidados, reforçando o cariz simbólico do evento, de acordo com o jornal Expresso das Ilhas.
A actuação dos Black Side é apresentada pela organização como um momento de memória, reconhecimento e celebração, traduzindo o compromisso assumido pela gala em valorizar não apenas os artistas contemporâneos, mas também aqueles que ajudaram a criar uma linguagem própria e a abrir caminho a novas formas de expressão urbana em Cabo Verde. O regresso do grupo ao palco resulta de um desafio lançado pela própria organização, pensado para proporcionar ao público um momento de “Lembra Tempu”, em torno do reencontro com uma parte significativa da história da música urbana cabo-verdiana.
Fundados em 1995, em São Vicente, os Black Side afirmaram-se como uma voz de alerta e de intervenção social, simbolizando aquilo que ficou conhecido como a expressão crítica do povo. A identidade do grupo, construída a partir da fusão entre o rap e o reggae, permitiu abordar temas como a vivência dos meninos de rua, a pobreza, o consumo de drogas, o alcoolismo, o VIH/Sida e a defesa de valores sociais. O álbum “Black Já Tchgá”, lançado em 1997, abriu-lhes espaço nas rádios nacionais e na diáspora, com várias composições a permanecerem durante longos períodos no topo das selecções musicais.
Composto por Nilton Gomes (Tó), Gilson Ramos (Gee) e Edilson Silva (Dau), o grupo deixou um retrato crítico e profundamente social da realidade cabo-verdiana, dando voz às inquietações de uma geração e contribuindo para alicerçar o hip hop feito em crioulo. Ao longo da carreira, marcaram presença em festas tradicionais, em festivais realizados no arquipélago e em diversas actuações no estrangeiro, celebrando este ano 31 anos de existência.


