O lado mais sombrio da vida de algumas mulheres e o contraste com quem aspira a viver uma verdadeira história de amor estão no centro de uma narrativa que se propõe provocar reflexão crítica sobre realidades sensíveis ainda envoltas em silêncio na sociedade cabo-verdiana. A peça «Batom Vermelho» volta aos palcos no próximo dia 3 de junho, às 19h30, levada à cena pela Companhia de Teatro Fladu Fla no Auditório Nacional Jorge Barbosa, na Cidade da Praia, numa reposição que promete recuperar a intensidade dramática que marcou a sua estreia.
Destinado a maiores de 16 anos, o espectáculo conta com bilhetes disponíveis para aquisição no Palácio da Cultura Ildo Lobo. A reposição surge após uma primeira exibição que deixou marca junto do público, com a estrutura artística a dirigir-se tanto a quem já assistiu, convidando a reviver as emoções da obra, como a quem ainda não teve oportunidade de a conhecer e se prepara agora para uma noite descrita como memorável.
Segundo o jornal Expresso das Ilhas, a peça é uma adaptação da obra «Pixinguinhas», da dramaturga Florizandra Porto, distinguida no concurso Dramaturgia Ano Novo 2021. A leitura cénica reinterpreta um tema controverso no contexto cabo-verdiano — a profissionalização do sexo —, que, embora exista enquanto realidade, continua a ser tratada como tabu, evitada nas conversas públicas e raramente abordada com profundidade em espaços de criação artística.
De acordo com a Companhia de Teatro Fladu Fla, «Batom Vermelho» explora contrastes humanos e propõe-se interpelar o espectador sobre matérias sensíveis presentes no quotidiano, numa proposta que a estrutura considera ter sido bem recebida e valorizada na estreia. Trata-se de uma narrativa profunda, com tensão emocional sustentada do início ao fim, e que ambiciona contribuir para o debate em torno de questões sociais frequentemente silenciadas, sem renunciar ao registo artístico nem à exigência dramatúrgica que a obra original imprime ao texto.


