A realização do XI congresso do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) continua sem nova data definida, num cenário marcado pela contestação interna à actual liderança e pelas restrições impostas pelo executivo de transição da Guiné-Bissau às actividades que envolvam grandes aglomerações. O impasse expõe a divisão profunda no seio do mais antigo partido guineense, num momento político particularmente delicado para o país.
A magna reunião estava inicialmente marcada para os dias 9 e 10 de Maio, segundo anúncio feito pelo autodenominado Grupo de Reflexão para a Renovação e Salvação do PAIGC, que reúne dirigentes contestatários da actual direcção. Na véspera do encontro previsto, o grupo dirigiu uma carta à imprensa guineense em que assegura que o congresso será realizado o mais rapidamente possível, assim que forem levantadas as restrições decretadas pelas autoridades de transição, sem contudo apresentar uma nova data para o evento.
Na mesma comunicação, os dirigentes contestatários afirmam estar a desencadear outras diligências organizacionais, orientadas para a construção de grandes consensos na preparação do congresso. Reafirmam ainda a determinação em levar por diante os trabalhos preparatórios e manifestam a expectativa de que as autoridades competentes ponderem a suspensão da proibição de aglomerações, de modo a permitir o anúncio oficial de uma nova data.
O Grupo de Reflexão é composto por dirigentes do PAIGC que se mantiveram em funções governativas após a dissolução, em 2023, da coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo partido. Estes elementos integram o executivo de transição instalado pelos militares na sequência do golpe de Estado de Novembro de 2025. Os dissidentes defendem que o actual presidente, Domingos Simões Pereira, neste momento sob prisão domiciliária, não reúne condições para continuar a liderar a organização.
Na carta dirigida aos militantes, o grupo garante ter reunido as 250 assinaturas exigidas em cada região, conforme determinam os estatutos partidários. A direcção do PAIGC, por sua vez, acusou o grupo de uma tentativa de assalto ao poder e convocou, no passado dia 28 de Março, uma reunião do Comité Central com o objectivo de antecipar a realização do congresso oficial. O confronto entre as duas facções aprofunda a fractura interna no partido fundado por Amílcar Cabral, agravada pelo contexto pós-golpe e pela detenção da sua principal figura.
Fonte original: https://www.dw.com/pt-002/bissau-congresso-paralelo-do-paigc-adiado/a-77103577


