A turbulência geoeconómica global e os seus efeitos sobre as economias europeias estiveram no centro das discussões que reuniram os ministros das Finanças da zona euro em Bruxelas, nos dias 4 e 5 de Maio de 2026, no âmbito das reuniões do Eurogrupo e do Conselho de Assuntos Económicos e Financeiros (ECOFIN). O ministro luxemburguês Gilles Roth esteve presente em ambos os encontros.
Na sessão do Eurogrupo, os responsáveis financeiros dos Estados-membros debateram os desenvolvimentos recentes da União Bancária com os presidentes do Mecanismo de Supervisão Único (SSM) e do Conselho de Resolução Único (SRB). A cibersegurança e o impacto da inteligência artificial no sector bancário foram temas de destaque, aos quais se somou a intervenção do presidente da Federação Bancária Europeia, que trouxe à discussão a questão da actividade bancária transfronteiriça.
No formato alargado do Eurogrupo, com a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI), a análise centrou-se nas repercussões da crise no Médio Oriente e nas mutações geoeconómicas em curso sobre a economia europeia. Os debates permitiram identificar os principais desafios partilhados pelos Estados-membros, com particular atenção à segurança energética e aos riscos a ela associados.
Foi ainda apresentado um estudo sobre o financiamento de empresas inovadoras na Europa, elaborado por Christian Noyer e Jürgen Kukies. As recomendações do documento apontam para a necessidade de facilitar o acesso de start-ups e scale-ups ao capital privado, num contexto em que a competitividade europeia depende cada vez mais da capacidade de financiar a inovação.
No Conselho ECOFIN, prosseguiram as negociações em torno do pacote regulamentar relativo à integração e supervisão dos mercados europeus (SIU). O Luxemburgo reafirmou o seu apoio aos objectivos da iniciativa, mas alertou para os riscos de uma supervisão centralizada excessiva, sublinhando que não devem ser impostos encargos administrativos ou custos adicionais às empresas e aos mercados. Os ministros abordaram igualmente os desenvolvimentos relacionados com a guerra na Ucrânia.
Uma das decisões mais significativas da reunião foi a aprovação da autorização para que o Parquet Europeu (EPPO) e o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) possam aceder a informações relativas ao IVA a nível europeu, medida considerada um passo relevante no combate à fraude fiscal no espaço comunitário. A sessão encerrou com uma revisão das reuniões dos ministros das Finanças e dos governadores dos bancos centrais do G20, bem como das reuniões de primavera do FMI.
“A situação geoeconómica e os seus efeitos sobre os cidadãos e a nossa economia justificam um acompanhamento próximo. Com uma prioridade clara: fortalecer a nossa resiliência face às incertezas actuais e impulsionar o crescimento. É necessário um quadro regulamentar equilibrado, que proteja sem restringir, e que continue a ser propício ao investimento e à competitividade, sem complexidade nem encargos excessivos para a nossa economia”, afirmou Gilles Roth.
À margem das reuniões, o ministro luxemburguês reuniu-se bilateralmente com o Comissário Europeu para a Fiscalidade, Wopke Hoekstra, para discutir as negociações em curso sobre a proposta de directiva relativa à tributação do tabaco.


