A OGBL, o maior sindicato do Luxemburgo, exige um aumento estrutural de 12% no salário mínimo social — equivalente a cerca de 300 euros mensais — e fez do 1.º de Maio o primeiro acto formal desta luta. O sindicato denuncia que o Governo luxemburguês decidiu, de forma unilateral, não proceder a qualquer aumento estrutural do salário mínimo, rompendo o diálogo social que tem caracterizado o país desde a década de 1970 e que, segundo a OGBL, está na base da paz e da coesão sociais no Luxemburgo há mais de meio século.
O valor actual do salário mínimo não qualificado situa-se em 2.703,74 euros brutos por mês, um montante que o sindicato considera insuficiente para viver com dignidade no Grão-Ducado. A OGBL recorda que uma directiva europeia sobre salários mínimos adequados estabelece que estes devem rondar os 60% do salário mediano de cada Estado-membro — um limiar que, segundo o sindicato, impõe uma subida de pelo menos 12%. O Executivo avançou apenas com um aumento de 6,3%, calculado com base numa metodologia que a OGBL contesta, por excluir determinados salários com bónus ou com 13.º mês.
A situação é agravada pelo custo de vida crescente, que o sindicato atribui tanto à instabilidade económica e política global como, sobretudo, à escalada histórica dos preços do mercado imobiliário. De acordo com a OGBL, um em cada sete trabalhadores no Luxemburgo vive hoje em situação de pobreza, sem conseguir chegar ao fim do mês com rendimentos suficientes para subsistir com dignidade.
O sindicato rejeita igualmente a proposta patronal de compensar os baixos salários através de apoios sociais adicionais. Para a OGBL, essa solução transfere o ónus para o erário público — e, consequentemente, para o conjunto dos contribuintes —, enquanto grandes empresas e multinacionais continuam a registar lucros avultados pagando impostos reduzidos ao Estado. A redistribuição mais justa dessa riqueza é, para o sindicato, a resposta estrutural necessária e inadiável.
A OGBL alerta ainda para uma segunda ameaça que considera igualmente inaceitável: a eventual manipulação ou supressão do mecanismo de indexação automática dos salários e pensões, conhecido como “índex”. O sindicato considera este instrumento uma linha vermelha que não pode ser ultrapassada e denuncia que tanto o patronato como o Governo já estariam a preparar medidas nesse sentido. Para a OGBL, atacar o índex equivale a atacar o poder de compra de todos os trabalhadores.
A presidente da OGBL, Nora Back, irá formalizar estas reivindicações no discurso que profere na Festa do Trabalho e das Culturas, na sexta-feira, 1.º de Maio, na Abadia de Neumünster, em Luxemburgo-Grund — espaço que o sindicato utiliza há 20 anos para assinalar esta data. A intervenção está marcada para as 10h15. Durante o dia, a animação musical estará a cargo das bandas The4, Zero Point Five e Dream Catcher. Estarão também presentes expositores de associações parceiras, um stand do Departamento dos Imigrantes da OGBL e bancas de gastronomia internacional, com propostas culinárias de Cabo Verde, Portugal e outros países.
A OGBL apela à participação massiva de todos os trabalhadores, membros, militantes e simpatizantes.


